quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Locais de tráfico de drogas serão investigados

Investigações para levantar onde ficam e como funcionam os principais pontos de venda e consumo de crack, como a realizada no fim da Asa Norte desde a semana passada, se estenderão por todo o DF. O serviço de inteligência da Polícia Militar vai monitorar pontos em diversas cidades, como Ceilândia e Taguatinga, apontadas em reportagens do Correio como abrigos de cracolândias. Apesar das investidas na 314/315 Norte, o combate ao tráfico da droga tem se mostrado pouco eficiente. Das 14 pessoas detidas na madrugada de terça-feira, 13 — entre traficantes e usuários — voltaram a movimentar o comércio da substância na madrugada de ontem. Apesar da presença da polícia e dos flagrantes de venda e consumo, ninguém foi preso na passagem de terça-feira para ontem.




A imagem captada na noite de terça-feira pela PM é clara. Um rapaz de camisa branca, bermuda jeans e sandálias estaciona um Gol azul na comercial e desce para conversar com um traficante. Durante meia hora, o homem de classe média anda de um lado para o outro, agoniado à espera da substância que vai saciar o vício. Com a chegada de um terceiro rapaz, o trio entra no carro e sai para o consumo. Cenas semelhantes se repetem no vídeo. O tenente Souza Machado, do Comando de Policiamento Regional Metropolitano (CPRM), afirmou que boa parte dos envolvidos na atividade criminosa durante a última madrugada estava entre os detidos da noite anterior.

O delegado-adjunto da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Rogério Borges, explicou que a ausência de provas dificulta a caracterização do tráfico e a prisão dos envolvidos. “Não adianta trazer muita gente e poucas provas. Para enquadrarmos como traficante tem de haver dados concretos, como a droga e o dinheiro da venda”, justificou. Os aviõezinhos — como são chamados os adolescentes que vendem a droga — andam quase sempre com pequenas quantidades de crack. “Ontem flagramos um garoto vendendo 150 pedras de uma única vez. Mas a abordagem deve ser certeira, antes que eles dispensem a droga e se passem por usuários”, disse o tenente Machado. Desde o início das ações na Asa Norte, apenas dois jovens foram conduzidos à Delegacia da Criança e do Adolescente por tráfico. Os demais acabaram liberados.



Reportagem feita pelo Correio em dezembro de 2008 apontou a existência de pelo menos oito pontos de tráfico da droga derivada da pasta base da cocaína no DF — no Plano Piloto, em Ceilândia e Taguatinga. Segundo o tenente Souza Machado, todos serão monitorados. “Vamos fazer um trabalho semelhante ao da Asa Norte: de observação e mapeamento para posteriores operações.” O chefe da Comunicação da PM, coronel Cinvaldo Florêncio, afirmou que já há pontos fora do Plano Piloto na mira da polícia. “Vamos desencadear ações pesadas em breve, com base em dados do serviço de inteligência”, garantiu.



Fonte: CorreioBraziliense e Jornal Coletivo

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