sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Índios fazem corrida de tora pelo bem do cerrado

Em defesa da preservação do cerrado, que representa cerca de 22% do território brasileiro e cobre 11 estados e o Distrito Federal, índios das etnias Timbira e Xavante participaram de uma corrida de toras na Esplanada dos Ministérios. A atividade marcou o início do Grito do Cerrado, uma série de manifestações e eventos culturais para alertar governo e comunidade sobre os riscos da devastação do bioma, que já perdeu 57% da sua área. Segundo a Rede Cerrado, que reúne entidades sócio-ambientais, se o desmatamento continuar no mesmo ritmo, em trinta anos o cerrado poderá desaparecer.

Durante a corrida, índios passaram de mão em mão duas toras de buriti, de cerca de 80 quilos cada uma, em um percurso do Ministério do Meio Ambiente ao Congresso Nacional. Ao chegarem ao Congresso, os participantes tentaram entrar no prédio, mas só conseguiram depois que o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) interveio. O parlamentar estava chegando ao local no momento em que os índios pediam autorização aos seguranças para deixar as toras na Câmara ou no Senado.

O senador disse que assumiria a responsabilidade e acompanhou os índios até o interior do Senado. Conforme o combinado com Suassuna, os índios deixariam as duas toras na entrada do Plenário, mas eles acabaram colocando-as em frente à mesa da Presidência da Casa. Segundo o líder indígena Hiparido Toptira, da etnia Xavante, o ato foi uma forma de chamar a atenção das autoridades para a devastação do cerrado, acentuada nos últimos anos devido à ocupação desordenada do solo e ao crescimento do agronegócio, principalmente da plantação de soja na região. “Nós não queremos soja em torno dos territórios indígenas, porque está tendo problema seríssimo de agrotóxico nos nossos rios, e a caça e as frutas estão diminuindo”.

Para o líder indígena, é preciso uma lei específica para proteger a fauna e a flora do cerrado. “Nós dependemos do cerrado e o cerrado depende da gente. Sem o cerrado, a gente não tem corrida de toras, não tem pintura. Para nós, como xavantes, só com o cerrado a gente consegue sonhar e aí poder fazer música”, explicou Hiparido Toptira.

Segundo Ney Suassuna, as toras ficarão em exposição no museu da Casa. O senador explicou que resolveu autorizar a entrada dos índios no Senado porque se trata de uma causa justa. “O Brasil hoje tem 62 milhões de hectares de área plantada. Faltam 92 milhões de hectares. Então, a gente pode preservar uma boa parte do cerrado porque não há necessidade de ocupar tudo”, disse o senador, ao destacar que o ideal é que o bioma passe a ser Patrimônio Nacional.

As atividades do Grito do Cerrado terminam nesta sexta-feira (10), um dia antes do Dia Nacional do Cerrado, comemorado no dia 11 de setembro.



Fonte: AmbienteBrasil, Rede Globo, Rede Record e Band Cidade

Polícia cumpre mandatos de prisão

A operação Águia, realizada pela Delegacia de Capturas e Polícia Interestadual (DCPI), cumpriu 26 mandados de prisão na manhã desta sexta-feira (11/9). Parte das pessoas detidas já havia sido condenada e estavam foragidas.

Dos 26 presos, três são mulheres e foram encaminhadas à Penitenciária Feminina do Distrito Federal. São diversos os crimes envolvidos: cinco são acusados de homicídio, cinco de roubo e outros cinco de furto. Além disso, são três envolvidos com tráfico de drogas, três com estelionato, dois envolvidos em receptação, um em corrupção passiva, um em falsidade ideológica e um em extorção.

Ao todo, seriam 28 mandados de prisão, mas dois dos acusados não foram encontrados em casa e continuam foragidos. Segundo a delegada-chefe, Mailene Alvarenga, a maioria dos presos cometeu crimes no Distrito Federal. Mas há outros acusados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Piauí.



Fonte: Correio Braziliense, Rede Record, Band Cidade e Rede Globo

Ônibus incendiados

O tumulto começou por volta das 5h. As pessoas atearam fogo em dois ônibus que já estavam na divisa, esperando passageiros para seguir rumo ao Distrito Federal. A DF-128 foi fechada. Só era possível sair ou entrar em Planaltina de Goiás por Sobradinho ou Formosa.

Quando os bombeiros chegaram, os ônibus já estavam destruídos. A polícia acompanhava o grupo de longe. Em dois momentos, os passageiros tentaram virar um ônibus. Primeiro, empurrando. Depois, usando cordas. Como não conseguiram, voltaram a atear fogo na parte que ainda restava do veículo.

O motivo do protesto

As manifestações contra o aumento de passagens em Planaltina de Goiás começaram em julho, quando foi anunciado o aumento de 6,21% nos preços das tarifas de ônibus semi-urbanos e interestaduais.

O aumento gerou protestos em Planaltina de Goiás e a prefeitura fez um acordo com o GDF. Desde o início de agosto, os passageiros eram levados de graça até a divisa, onde pegavam ônibus rumo ao DF por R$ 3, ou seja, R$ 1,26 a menos do que a passagem normal.

A medida foi considerada insustentável pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que sugeriu integrar o transporte do Entorno com o do DF. A proposta foi discutida em reunião na Residência Oficial de Águas Claras, com a participação dos governadores do DF e de Goiás, de prefeitos do Entorno e do diretor da ANTT.

Nessa quinta-feira (10), a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público e suspendeu o transporte de passageiros feito de graça pela Prefeitura de Planaltina de Goiás até a divisa com o DF, por considerar que o terminal improvisado coloca em risco motoristas e passageiros.




A situação vai ser discutida numa reunião agendada para hoje à tarde, na sede da ANTT. O prefeito de Planaltina de Goiás, José Neto, vai participar do encontro em Brasília.



Assista ao vídeo: CorreioWeb / Tv Brasília


Fonte: Rede Globo, Correio Braziliense, Jornal Coletivo, Jornal Local, Band Cidade e Rede Record

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ceilandense faz mais um teste neste domingo

No último sábado, a Ceilandense conquistou importante resultado para a sequência da Segundona Candanga ao bater o Botafogo/DF, por 1x0, gol do atacante Edicarlos. Jogando pela primeira vez no estádio Abadião, a tricolor ceilandense não se intimidou com o alvinegro, nem com a presença do artilheiro Túlio Maravilha e saiu com a vitória.

Com o triunfo a equipe segue na competição agora com 4 pontos, mantendo-se na sexta colocação. No entanto, com os resultados da rodada a diferença do segundo colocado para o sexto é de apenas 3 pontos, deixando a disputa pelas quatro vagas para a fase seguinte mais acirrada.

Autor do gol que deu a Ceilandense a primeira vitória na segundona local, o atacante Edicarlos ressaltou o resultado conquistado e a confiança para a sequência da disputa:“O gol e o resultado foram importantes para dar ânimo ao grupo e para trabalharmos mais tranquilos durante a semana. Agora temos o Brazsat pela frente e esperamos conquistar mais um grande resultado”, afirmou.

O técnico da equipe, Gérson Vieira, destaca que com a vitória a equipe entrou com força para conquistar uma das vagas: “A vitória foi importante porque agora a equipe entrou de vez pela classificação. Se fosse um resultado diferente estaríamos pensando em lutar para não cair. Nós fizemos uma grande partida, mas a partida contra o Botafogo/DF já foi e agora temos que pensar no próximo jogo contra o Brazsat.”

Na tarde desta quarta-feira, debaixo de forte chuva ao fim do treino, os jogadores do tricolor ceilandense realizaram um treinamento tático, sendo bastante cobrados pelo exigente treinador Gérson Vieira. No próximo domingo, a Ceilandense encara o time do Brazsat em jogo válido pela quinta rodada da Segundona local.



Brazsat x Ceilandense - 13/09/09 - domingo - 15h30 - estádio Mané Garrincha (Plano Piloto)


Fonte: Esporte Candango e Federação Brasiliense de Futebol

Laudo da Caesb a respeito das mortes de peixes

No final de agosto, centenas de peixes foram encontrados mortos no rio. Moradores da região ficaram assustados.


A Caesb concluiu que a água do Rio Descoberto estava com fósforo e nitrogênio em quantidade acima do normal. Isso teria aumentado a quantidade de algas, que consomem o oxigênio da água, e levado à morte dos peixes. De acordo com o laudo, o mais provável é que o fósforo e o nitrogênio vieram de defensivos agrícolas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não concorda com o laudo da Caesb. De acordo com a analista ambiental Juliana Freitas, num trabalho de campo de três dias o Ibama concluiu que o excesso de fósforo e nitrogênio foi causado pelo esgoto jogado no rio.

No dia 21 de agosto, a Estação de Tratamento de Esgoto da Caesb ficou sem energia e jogou esgoto no rio por 11 horas. O Ibama divulga o laudo nesta sexta-feira (11).



Fonte: Rede Globo

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Elas brilham

Crianças com altas habilidades ou chamadas de superdotadas estão ganhando espaço e visibilidade no meio artístico de Brasília. Numa parceria com o projeto da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Escola Classe 57 do P Sul realiza, até o dia 11 de setembro, a Mostra Cores e Formas. Com exposições de quadros e desenhos criados pelos estudantes que participam do Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado, a Codevasf ofereceu o espaço com o objetivo de estimular as habilidades artísticas infanto-juvenis.

Desde o primeiro convite que a escola recebeu da Codevasf, há três anos, ela vem se destacando pelo espaço conquistado e pelas diversas premiações que os alunos receberam. "No primeiro ano que participamos não tínhamos praticamente nenhum recurso. Então tive que cobrir alguns vinis de branco, para que os alunos pintassem neles, e o resultado foi surpreendente", contou Sandra Machado, professora de Artes e orientadora da Sala de Recursos.




A participação de crianças e adolescentes no programa oferecido pela escola é feita por uma autoindicação dos alunos que ficam sabendo do atendimento, dos pais ou dos próprios professores. Depois da indicação, o aluno se inscreve no programa e aguarda ser chamado em uma fila de espera.

Depois de convocado, ele ganha espaço para participar do atendimento até a conclusão do ensino médio, independente da escola que estuda. Edílson José de Oliveira, 17 anos, faz parte do programa há cinco anos. "Depois que me inscrevi fiquei na lista de espera por um tempo. Quando me chamaram tive que fazer um teste. Hoje vejo que valeu a pena esperar. Ao longo dos anos descobri que quero levar a carreira de artista adiante", afirmou Edílson.

Há sete anos, Luiz Roberto Rocha Maia, aposentado da Codevasf, idealizou o Salão Infanto-Juvenil Brincando com Arte, com o objetivo de aumentar a função social da empresa e incentivar o talento das crianças. Com a temática voltada para o Rio São Francisco e o Vale do Parnaíba, as crianças buscam inspiração para fazer as mais variadas técnicas, em desenhos e pinturas em óleo sobre tela. "O trabalho de divulgação do projeto era feito de porta em porta nas escolas. Com o tempo começaram a surgir parcerias de várias empresas e o concurso ganhou visibilidade", explicou Rocha Maia.




Segundo a atual curadora do Espaço Cultural Codevasf, Nilma Leite Nogueira, o concurso acontece uma vez por ano, sempre no mês de outubro, escolhido principalmente por coincidir o mês da criança com o aniversário da empresa. "O concurso é aberto para todas as crianças que pintam. Escolas públicas, particulares e jovens artistas podem participar, basta o professor de artes inscrever o aluno", explicou Nilma.

Ela acrescentou que a premiação é realizada em três categorias, divididas em primeiro, segundo e terceiro lugares. Além disso, uma quarta categoria de voto popular é feita por meio de de uma urna localizada no local da exposição.




Quanto ao retorno do trabalho desenvolvido, a professora Sandra e a curadora Nilma, têm a mesma opinião. Elas se sentem gratificadas ao ver as crianças realizadas ao ganharem um prêmio no concurso.

Esta sensação ocorre todas as vezes em que elas veem os trabalhos dos alunos expostos. "É o melhor resultado que poderiam conseguir. Temos casos de crianças que eram repetentes e de crianças que tinham dificuldade de socialização, que hoje superaram isso e são outras pessoas", contou Sandra.

Com uma visão semelhante, Luiz Roberto Rocha Maia completou o clima de conquistas das professoras: "Me aposentei do serviço público, não da arte. Vejo um futuro de grandes artistas nessas crianças e sempre vou auxiliá-las", afirmou.



Fonte: ClicaBrasília

A briga continua

A discussão das poligonais do Distrito Federal virou disputa. Preocupados com a perda de terreno que Taguatinga vem sofrendo desde que foi criada, os moradores da Região Administrativa (RA) III aproveitaram a discussão dos limites entre as cidades do DF para reivindicar a Colônia Agrícola Cana do Reino, localizada na margem da Via Estrutural, ao lado da invasão com o mesmo nome. Mas a comunidade de Vicente Pires, que investiu na região nos últimos cinco anos, não pretende abrir mão dos 370 hectares onde atualmente moram 250 famílias.

A última possibilidade de expansão da espremida Taguatinga também faz parte dos planos da recém-criada Vicente Pires, que, assim como a irmã mais velha, planeja usar a região para crescer. “Taguatinga já é rica e desenvolvida. Tem bancos, supermercados e agências dos Correios. Já Vicente Pires nasceu agora. Precisamos de espaço para nos desenvolver”, defende o presidente da cooperativa de feirantes de Vicente Pires, Jonatas Emílio, que já faz planos para a área. “Estamos comprando um terreno de cinco hectares para montar a maior feira do DF”, conta. Um hectare equivale a um campo de futebol profissional.

Em reportagem publicada na edição de ontem do Correio, o deputado distrital Benedito Domingos (PP) disse que a Cana do Reino figura como área de expansão econômica na proposta de poligonal de Taguatinga, que foi reduzida a 20% de sua área original em 51 anos de existência. Para o administrador de Taguatinga, Gilvando Galdino, os moradores de Vicente Pires têm de entender que suas residências passaram a existir como cidade agora. “Eles não podem pleitear além do que conquistaram. Não há possibilidade de discussão”, avisa, acrescentando que Taguatinga não abre mão de mais nenhum palmo.

O administrador de Vicente Pires, Alberto Meireles, prefere a diplomacia. “Temos de buscar o entendimento. Se for preciso, até dividimos a área. É tudo DF”, pondera. Para Meireles, é natural que Taguatinga tenha cedido terreno para outras regiões administrativas, dada sua grande extensão. Se necessário, segundo ele, as indústrias de Taguatinga podem até compor o setor industrial da Cana do Reino. O administrador acredita ainda que Vicente Pires pode se valer do Taguaparque — área de lazer à margem do Pistão Norte — como moeda de troca.

Presidente da Associação Comunitária do Setor Habitacional Vicente Pires (Arvips), Dirsomar Chaves é menos conciliador e considera a reivindicação dos taguatinguenses uma afronta. “Há uma história de luta e trabalho de Vicente Pires nessa área, à qual Taguatinga nunca tinha prestado atenção”, protesta Chaves. Segundo ele, em vez de disputar a Cana do Reino, Taguatinga deveria brigar para mudar a destinação das partes da Floresta Nacional (Flona) que são ocupadas por árvores exóticas. “Os trechos onde há eucaliptos poderiam ser usados para a expansão da cidade”, propõe.



Na disputa pela região, os partidários de Vicente Pires têm o importante apoio dos poucos moradores da Cana do Reino. “Nossa luta é uma só”, defende o presidente da cooperativa habitacional Cooperville, Roldiney Roy Rodrigues. Ele prefere que sua residência pertença à mais nova região administrativa do DF. “Já está tudo planejado. Taguatinga não pode chegar assim e mudar tudo”, reclama. Foram 10 as oficinas reservadas para construir o projeto urbanístico da região, que, de acordo com os planos, deve contar com cerca de 7 mil moradias de baixa renda, além de imóveis para a classe média, prédios comerciais e mistos.

Se depender dos moradores de Vicente Pires, o espaço também deve servir para abrigar os prédios administrativos da cidade. “Estamos discutindo há três anos o estudo de impacto ambiental e o projeto urbanístico da cidade. Gastamos cerca de R$ 1,3 milhões nesse processo, nós e os moradores da Cana do Reino”, conta o diretor de Infraestrutura da Arvips, Glênio José da Silva. Glênio admite que Vicente Pires não têm tanta força política quanto Taguatinga, mas aposta na força popular de sua comunidade para assegurar a Cana do Reino.



Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vídeo: O orgulho de ser brasileiro

O vídeo a seguir mostra informações sobre o país e o orgulho dos moradores brasileiros. Assista!

CorreioWeb / Tv Brasília


Fonte: Jornal Local de 07/09/09

Tráfico de drogas domina a QNN 19

Apesar de ter acontecido isto:

Policiais 19ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, em Ceilândia, prenderam em flagrante, na última sexta-feira (04), na QNN 19, Ceilândia Norte, três pessoas com “merla” e cocaína.

Além de Flávio Antônio Ribeiro da Silva, 54 anos, e Saulo Rafhael Costa Ribeiro da Silva, 25, - pai e filho respectivamente - foi preso José Ailton Miranda de Jesus, 27 anos.

Uma adolescente de 17 anos, que acompanhava o trio, foi apreendida e encaminhada à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). O trio foi recolhido à carceragem do Departamento de Polícia Especializado (DPE).

Antes de efetuarem as prisões, os policiais passaram duas semanas investigando o grupo.



...o tráfico de droga continua atormentando o local.


A reportagem da Rede Record mostrou que o tráfico continua "quente" na localidade. A droga é vendido em meio a crianças brincando e pessoas trafegando. Os consumidores são rapazes de bicicletas, estudantes entre outros. Os lotes vazios favorecem ao uso dos entorpencentes. Moradores alertavam que o crime acontecia em qualquer horário e sem pudor, principalmente próximo a uma escola.

A reportagem da emissora chegou a voltar novamente à área, mas os traficantes do lugar a ameaçou e os funcionários da Record tiveram que deixar a região.


Veja o vídeo: eBand


Tá difícil!!!


Fonte: Rede Record e ClicaBrasília

O esporte continua esperando...

No começo da década de 1990, Marílson Gomes dos Santos começava a demonstrar que seria um dos grandes nomes do atletismo do país. Contudo, em busca de melhores condições de treino, o maratonista nascido em Ceilândia deixou sua cidade natal para mudar-se para Santo André, onde conseguiu construir uma carreira e tornar-se um atleta consagrado internacionalmente. A ausência de um lugar adequado em Ceilândia para abrigar os atletas foi realidade até cerca de seis meses atrás, quando uma pista foi construída no Centro de Ensino Médio 02.

Mas para a decepção dos que esperaram décadas para enfim realizar um sonho, o local não vai além da pista. Quem treina na escola de Ceilândia não pode contar sequer com uma infraestrutura mínima. “Falta bebedouro, vestiário, banheiro, iluminação e cobertura”, enumera Débora Crisóstomo, 13 anos. “Segurança também não tem. Direto uns drogados entram aqui”, emendou a estudante. Clodoaldo Gomes da Silva é um dos atletas que sonharam em ver o lugar pronto. O maratonista, que desenvolve um projeto social no local, diz que, mesmo com os problemas, cerca de cem pessoas correm na pista por dia.

“Estamos felizes com a pista, mas não com o redor. Aqui não tem só atletas, mas pessoas que querem fazer atividade física. Quando escurece, temos que ir embora, pois não tem condição de ficar na escuridão. Só a pista não é o suficiente”, reclama o atual campeão sul-americano da meia maratona. No grande terreno que cerca a pista de cascalho de 400m, restos de lixo, pedregulhos espalhados, traves de futebol e tabelas de basquete desgastadas pelo tempo, além de muito mato e uma estrutura que deveria ser a cobertura de uma quadra, mas que são apenas ferros enferrujados, mostram o perigo iminente do local. “Às vezes cai um ferro ou outro”, conta Clodoaldo sobre a condição da quadra abandonada.


O secretário de esportes do DF, Aguinaldo de Jesus, disse que a obra é de responsabilidade da Secretaria de Obras. Jaime Alarcão, secretário adjunto de obras, ao mesmo tempo em que assume a responsabilidade tenta amenizar o que os fatos demonstram. “A demanda era para a construção de uma pista. Quando ela ficou pronta vieram dizer que tinha que fazer a infraestrutura”, explicou-se. Colocado desta forma, sanitários, bebedouros, iluminação e segurança parecem ser pedidos esdrúxulos, quando não passam de condições mínimas para a prática desportiva.

“Está sendo feito um aditivo para fazer a outra parte da obra. Vai ser feita uma estimativa de custo para ver se estas solicitações cabem no contrato. Estamos na fase de projeto. Não existe prazo”, concluiu Alarcão. Enquanto isso, a população de Ceilândia continua esperando. “Isso é um desperdício. O esporte educa, dá responsabilidade e deixa a pessoa mais saudáveis. Investir no esporte é economizar em educação, saúde e segurança”, reforça Clodoaldo.



Fonte: Correio Braziliense