sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Aumenta o preço do aluguel

As imobiliárias do Distrito Federal estão se aproveitando da procura crescente por imóveis para empurrar aumentos indigestos aos que recorrem ao aluguel.

Na teoria, os valores dos contratos com vencimento em julho e em agosto deveriam ter redução próxima de 1%, pois o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M)(1), que os corrige, está em queda. Mas, na prática, está havendo reajustes que chegam a 50%.

Os locadores alegam que, neste momento, o que prevalece é a valorização dos imóveis em vez do que está escrito no contrato. O do aluguel tem de variar entre 0,6% e 1,2% do valor de mercado da casa ou do apartamento.

“Quando alguém compra imóvel, busca rentabilidade. Além de ter o retorno do aluguel, há a valorização do patrimônio. Nos últimos 12 meses, o preço dos imóveis subiu 20% no Plano Piloto e em Taguatinga, 29% em Águas Claras e 47% em Ceilândia, Gama e Samambaia”, afirmou o diretor do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF), Ovídio Maia.

“Portanto, não há como o valor dos aluguéis seguir somente a variação do IGP-M”, afirmou, a despeito de cerca de 90% dos contratos de locação estarem atrelados a esse índice.

Essa visão é compartilhada pelo vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-DF), Getúlio Romão Campos. “No DF, nenhum local valoriza menos que a inflação”, afirmou.

“Então, o valor dos aluguéis tem de acompanhar a valorização do imóvel, que tem sido pelo menos o dobro da inflação no ano. Ou seja, um investimento bem melhor do que a caderneta de poupança”, completou.

Assim, muitas pessoas são obrigadas a trocar de imóvel para adequar o valor do aluguel ao seu orçamento. Foi o caso da auxiliar administrativa Maria Isabel Ribeiro, 28 anos. Há oito meses, ela e o marido, vigilante, pagavam R$ 250 por uma quitinete em Planaltina.

Mas tiveram que se mudar. “O proprietário queria aumentar o aluguel para R$ 300. Era um absurdo. Tentei negociar. Disse que não teria como pagar aquele valor. Mas não teve jeito”, contou Isabel. Ela optou, então, por alugar uma casa, também em Planaltina, pagando os mesmos R$ 300.

“A diferença é que, agora, moramos num lote sem outras famílias, o que acabou sendo mais vantajoso.” Com o aluguel e as contas de água e luz, Maria Isabel e o marido comprometem 25% da renda familiar.



Fonte: Brasília Em Tempo Real e Correio Braziliense

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A arte na argila

Artesanato que retrata o cotidiano do interior. Estátuas de mulheres amamentando, grávidas, o pescador. Cleziane conta que foi com a mãe que descobriu o dom que tinha para a arte em argila.

“Minha vida era no meio da zona rural. Então, era o pessoal trabalhando na roça, colhendo arroz. E eu convivi muito com isso. Através dessa experiência eu comecei a fazer as peças, retratando o cotidiano”, conta a artesã Cleziane Rbeiro.

É na varanda de casa, no Condominio Pôr-do-Sol na Ceilândia, que Cleziane encontra a traquilidade necessária para trabalhar. O silêncio ajuda na inspiração. Além disso, no condomínio ela passa o dia inteiro, e às vezes a noite, produzindo as peças.

“Você faz a peça, esculpe e depois de pronta ela fica mais ou menos uma semana secando. Precisa secar naturalmente. Depois de seca, ela vai para o forno para ser queimada. São oito horas de queima e só pode tirar no outro dia. Depois que tira, faz a pintura. São mais ou menos três horas pintando uma peça”, explica a artesã.

Algumas já estão prontas para a próxima exposição, marcada para o fim do mês de agosto. As esculturas em argila de Cleziane fazem sucesso no Plano Piloto, onde fica a maior parte da clientela. Não é à toa, pois cada produção é como se fosse a primeira e única.

“Por mais que você queira fazer igual, nunca sai. É um trabalho manual e depende do momento, da hora que você está fazendo. Então, cada peça é única. Única da gente e do cliente também”, explica a escultora.

São 15 anos dedicados às esculturas em argila. Cleziane chega a produzir três peças por dia, dependendo do trabalho. Debruçada nas criações, ela se diz realizada. “É muito bom você fazer o que gosta, porque faz com amor e carinho. Cada peça que você faz é uma vitória. É muito gratificante”, diz Cleziane.



Fonte: Rede Globo

Bingo é fechado

Uma casa clandestina de bingo foi fechada hoje (05), por volta das 20h45, na QNM 17, conjunto A, Ceilândia. Segundo a Polícia Militar, o local foi descoberto por meio de uma denúncia anônima, feita por um jogador que havia perdido dinheiro com o jogo.

O gerente do estabelecimento e uma mulher, jogadora regular, foram detidos. Ao todo, dez computadores foram apreendidos e R$2.686 em espécie, além de vales e recibos de pagamentos.



Fonte: ClicaBrasília, Rede Record e Rede Globo

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tiraê: E o Centro Metropolitano?

A partir de hoje, o blog 100% Ceilândia traz uma grande novidade para seus webleitores: o Tiraê - a publicação de tiras em quadrinhos. Além das notícias usuais publicadas, o blog, em parceria com o cartunista, Adriano Carvalho, apresenta mais esta ótima empreitada: a divulgação de notícias, histórias e do cotidiano dos moradores do Distrito Federal e Entorno em forma de tiras.


Neste novo processo, o blog 100% Ceilândia ficará responsável pelos roteiros, enquanto o cartunista Adriano produzirá os desenhos para as tiras. A proposta é publicar tiras curtas sobre temas que envolvam Ceilândia e outras cidades do DF e Entorno, utilizando como personagens os símbolos das mesmas regiões, como a Caixa d’Água de Ceilândia, o relógio da Praça do Relógio de Taguatinga, entre outros. Os dois primeiros que aparecem hoje são: Ceí e Taguá.


A primeira tira em questão refere-se a construção do Centro Metropolitano (novo complexo que abrigará diversos órgãos do Governo do Distrito Federal), em Taguatinga, que até hoje ainda não saiu do papel...

Vídeo: Mais um ônibus pega fogo

No outro dia foi um ônibus de Planaltina de Goiás, hoje foi um coletivo de Águas Lindas. O incêndio pode ter sido criminoso. O aumento das passagens do Entorno pode ter motivado os últimos dois incêndios a veículos de transporte público. Veja:


CorreioWeb / Tv Brasília


Fonte: Jornal Local, Rede Record, Band Cidade, SBT Brasília, Correio Braziliense e Rede Globo

Estão levando os livros

No livro O nome da rosa, do escritor italiano Umberto Eco, um monge franciscano e seu pupilo se embrenham num intrincado quebra-cabeça na tentativa de solucionar estranhas mortes num remoto mosteiro no norte da Itália. Por trás dos crimes, a descoberta de uma rica e milenar biblioteca, retentora de raros e reveladores livros escritos pelos maiores sábios até então. Adaptado para o cinema pelo diretor francês Jean-Jacques Annaud, a obra é uma homenagem ao poder de transformação que um livro tem ao longo do tempo. Nos últimos anos, Brasília tem visto esse poder quase transcendente ser maculado por uma triste realidade: o mercado paralelo de livros roubados. As principais vítimas são as bibliotecas.

Segundo a diretora da Biblioteca da UnB, Sely Maria de Souza Costa, o caso existe e é sério. Dono de um acervo que reúne mais de 1 milhão e meio de títulos entre livros, revistas e obras raras, um dos maiores centros de ensino do país sofre tentativas frequentes de furtos. “Trata-se de um problema lamentável e não se restringe apenas ao roubo de livros. Há também outro fator, que é a mutilação. É uma questão mundial e até existem dissertações de doutorado sobre o tema”, observa. “Aqui na UnB não é diferente. Os livros são furtados e saem pela porta da frente. E o triste é que qualquer um faz isso. A pessoa pode ser milionária, ter todas as condições para comprar um livro, mas comete o crime. Falta educação, ética até. Algo que só a psicologia explica”, lamenta.

Geralmente, o fruto desses roubos esbarra em motivos “profissionais”, já que a maioria dos crimes envolve publicações didáticas. “Livros de medicina e direito são muito caros. Portanto, bastante visados, daí a motivação para o roubo”, destaca Sely Maria, há quatro meses à frente da diretoria da Biblioteca da UnB.

Em grande parte dos casos, o destino das obras é o mercado informal, como bancas alternativas montadas em pontos estratégicos ou em bares da cidade. Nos dois casos é fácil identificar livros com carimbos de alguma biblioteca. Uma simples noitada num boteco qualquer da cidade, por exemplo, é mais do que suficiente para se deparar com títulos surrupiados da UnB ou da Biblioteca Demonstrativa. Clássicos da literatura são comercializados no mercado negro dos livros a preços módicos que vão de R$ 5 a R$ 7. Às vezes até menos. “Quem compra vira receptador, está incentivando o crime”, chama a atenção Conceição Moreira Salles, há 26 anos diretora da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB). “O certo é entreter o sujeito, enquanto o colega do lado dá um jeito de chamar a polícia”, defende Sely Maria, da UnB.

Estripador

Os métodos usados pelos larápios do saber são diversos. Vão desde a simples raspagem do carimbo que identifica a procedência do livro, passando pela página retirada, até a mutilação total do material, numa técnica sofisticada que mataria de inveja Jack, o Estripador. “Já encontramos casos de só ter a capa do livro na estante. Eles cortam o miolo da obra e deixam o restante no lugar. Isso é comum com livros de capa dura”, detalha Sely.

Na Biblioteca Demonstrativa, os furtos diminuíram significamente depois da instalação de câmeras em várias partes da instituição. “Em 90%, mas ainda há algumas tentativas porque não podemos colocar câmeras nos banheiros. Um problema comum aqui é a não devolução dos livros. A pessoa pega e ‘esquece’ de devolver. Para mim, isso configura roubo”, reage Conceição Moreira.

Outra vítima dos ladrões de livros na cidade é Luiz Amorim, dono do açougue T-Bone e idealizador do democrático projeto da biblioteca do povo. “Muita gente já me contou que viu livros com o carimbo do T-Bone sendo vendidos pelas ruas”, conta Amorim. “Às vezes o sujeito está até passando fome e rouba para suprir aquela necessidade, mas sei lá, dá um outro jeito. O que não pode é tirar o direito de outra pessoa de ter acesso ao livro”, destaca.

Dono de um quiosque de livros usados no Conic, Ivan da Presença abomina a prática e não se deixa intimidar pelos oportunistas. “Volta e meia chega um camarada aqui com uma sacola cheia de livros, todos do T-Bone ou da UnB. Dou-lhe um esculacho na hora, confisco a sacola e mando ele tomar um rumo senão chamo a polícia. O que não pode é deixar esses malandros denegrir um projeto tão bacana como esse (do T-Bone), por exemplo.”

Alvos

UnB
Com um acervo de mais de 1,5 milhão de títulos, alguns raros, a Biblioteca da UnB recebe em média cerca 4 mil pessoas por dia. A segurança do local se restringe apenas a grades nas janelas, vigilantes nas saídas e guaritas de identificação de códigos de barras. Até o fim do ano a instituição será equipada com câmeras.

Biblioteca Demonstrativa
Há mais de três anos que a Demonstrativa conta com sistema de câmeras e guaritas de identificação de código de barras. O número de furtos diminuiu em 90%, mas ainda há aqueles que se aventuram na prática. O acervo de livros do espaço gira em torno de 100 mil títulos.

Biblioteca da Ceilândia Carlos Drummond de Andrade
A situação mais crítica é da Biblioteca de Ceilândia, onde não existe nenhum dispositivo de segurança como câmeras, guaritas de identificação de códigos de barras e vigilantes.



Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Muitas indústrias

O aluguel mais em conta fez José Francisco escolher Ceilândia para montar a fábrica de mangueiras. Funciona no setor de indústrias da cidade. O produto reciclável, comprado de catadores, é triturado e transformado. Geração de emprego de um lado e cuidado com o meio ambiente do outro.

O processo reduz, e muito, os gastos e o preço final. E tem mais: fez da indústria líder em vendas no DF. “A gente pega produto reciclável. Material que foi jogado nos aterros ou nas cooperativas. Em vez de sair pra Goiânia ou São Paulo, a gente consome aqui mesmo em Brasília”, conta o empresário José Francisco Santana.

Hoje, existem mais de 1,2 mil indústrias espalhadas pela cidade: pequenas, médias e grandes. Juntas, elas geram cerca de 15 mil empregos. O empresário Mário César decidiu investir na região de olho no crescimento populacional do DF. Vende produto para impermeabilizar telhas. As vendas só aumentam e a clientela hoje não é só de Ceilândia. “Brasília se encontra em uma situação privilegiada com relação ao transporte. Nós podemos mandar nosso produto para outros estados e também atender o público local”, diz Mário César Deliberador.

A facilidade de mão-de-obra também atrai os empresários. Na fábrica de vassouras, por exemplo, a maioria dos funcionários mora na cidade. Jairo diz que é mais tranquilo. Além de ir trabalhar de bicicleta, ele tem tempo até de almoçar em casa. “A gente vai e volta traquilo. E ainda encontra comidinha quente”, revela o gerente operacional Jairo Alves de Vasconcelos.

De qualquer forma, o setor destinado exclusivamente para a indústria de Ceilândia não funciona como deveria. Por isso, muitas delas não funcionam. Menos de 30% dos terrenos estão ocupados e o restante da área está cheio de mato e entulho. Falta limpeza e conservação, o que seria um atrativo para novos negócios.

“O Setor de Indústria de Ceilândia só tem a infraestrutura de 20 anos atrás. Ele não veio com a estrutura completa, a questão do asfalto na outra rua. Na verdade, só temos 30% do setor ocupado”, conta o presidente da Associação Comercial e Industrial de Ceilândia, Ronaldo Vinhal.

O administrador regional de Ceilândia, Leonardo Moraes, disse que alguns donos de empresas não investem no setor de indústria e ainda abandonam os lotes. Ele afirmou ainda que o GDF investiu R$ 70 milhões em obras de infraestrutura no local.



Fonte: Rede Globo

Comunidade mostra os problemas do Incra 09

A ponte que cai, a pista cheia de buracos e intransitável, os assaltos... Estes são os principais problemas da comunidade do Incra 09.

Segundo os moradores, o péssimo estado da via de acesso ao bairro faz com que os ônibus escolares tenham dificultade de circular e os consumidores de produtos rurais desistam de comprar na localidade.

Segundo o administrador de Ceilândia, Leonardo Moraes, o crescimento desordenado do bairro, que deveria ser precisamente rural, fez com que diversos dos problemas citados fossem aumentados. Os residentes ainda reclamam da falta de segurança que ronda o local.


Fonte: Rede Record

Agressão?

O Conselho Tutelar de Ceilândia devolveu à família, nesta terça-feira (4/8), o garoto de 10 anos encontrado ontem pela polícia trancado em casa, em Ceilândia, e com diversos hematomas. O laudo do Instuto Médico Legal confirmou as agressões. Mas a conselheira Selma Aparecida da Cruz decidiu entregar a criança nesta manhã, após ouvir o pai e a madrasta. O casal, que admitiu ter "exagerado" na correção, disse que a criança sofre de compulsão alimentar e estava cometendo pequenos furtos.

O garoto passou a noite sob os cuidados da conselheira, depois que policiais da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) o encontraram trancado, sozinho, e com marcas pelo corpo. Eles chegaram até o local, na QNO 15 da cidade, por volta das 15h, após uma denúncia de vizinhos.

De acordo com o delegado-chefe, Vivaldo Neres, o garoto foi levado à delegacia, onde relatou as agressões do pai e da madrasta. A criança disse que era constantemente deixada em casa sozinha, muitas vezes sem comida.

No Conselho Tutelar, pai e madrasta negaram que a criança passasse fome e alegaram que ela queria comer o tempo todo. Como eles muitas vezes não tinham condições de comprar certos tipos de alimento, como bolachas, o garoto teria começado a cometer pequenos furtos para satisfazer a compulsão. Por isso, justificaram, ele ficava trancado em casa e apanhava.

Vizinhos ouvidos pela reportagem contaram que, diversas vezes, a criança se queixava sobre o tratamento do pai e da madrasta. Uma mulher que não quis se identificar disse ter escutado alguém xingar o menino por ter feito xixi na cama. "Deu para ouvir o barulho da cabeça dele sendo batida na parede", contou.

Segundo a conselheira Selma, o garoto, algumas vezes, se contradizia ao relatar os fatos ocorridos em casa. Para ela, mandá-lo a um abrigo não seria a melhor alternativa, pois ele conviveria com crianças de diferentes idades, algumas até usuárias de drogas.


O delegado instaurou um inquérito para apurar a denúncia. "Vamos ouvir os pais e investigar o caso. Um dos crimes existe, que é o de maus-tratos. Temos ainda notícia do abandono. Os dois serão convocados a prestar esclarecimentos e, se preciso for, vamos arrolar testemunhas", disse o delegado.



Fonte: Correio Braziliense, Rede Globo, Brasília em Tempo Real e ClicaBrasília

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

É nordestina!

No inicio, todas as casas seguiam o mesmo padrão. “A minha é original. Não tem nenhuma melhoria. A única coisa diferente é o portão. O resto é tudo original”, fala a a dona de casa Maria do Rosário Falcão.

O carnê da antiga Shis, o primeiro programa habitacional do DF, foi o passaporte para a casa própria na cidade criada para abrigar quem morava em invasões no Plano Piloto. Em 31 anos de Ceilândia, Adelaide viu nascer quatro filhos, 18 netos e três bisnetos. A casa também cresceu e a vida melhorou.

“Quem chegou aqui naquela época só encontrou poeira, lama. A gente não tinha muita perspectiva, porque era uma cidade que acolheu uma invasão. No entanto, virou essa grande cidade, essa potência que é hoje”, diz a dona de casa Adelaide Sá.

A imagem de Ceilândia mudou. O comercio é forte. Foi-se o tempo em que era preciso ir a Taguatinga fazer compras. Há também 1,2 pequenas indústrias.

Quer ver gente no fim de semana? Basta visitar uma das sete feiras permanentes da cidade. A do centro é a mais antiga. Fica ao lado da caixa d’água, quando em 1971 foi lançada a pedra fundamental de Ceilândia. E onde, até hoje, se reúnem os primeiros nordestinos.

Há 20 anos, Ednara vende comidas típicas na mesma feira. “Tem buchada, cabrito, galinha caipira, carneiro assado e até cabeça de bode eles gostam”, conta a feirante Ednara dos Santos.

Cadastrados pela administração existem 3,2 mil feirantes. Mas o número de informais é bem maior. Ao lado da 24ª delegacia, no Setor O, tem mais gente fora do que dentro da feira. A falta de controle do governo tem nome: “’Feira do Rolo’. O motivo eu não sei. Acho que é porque tem muito rolo mesmo”, arrisca um morador.

“Aqui compra quem quer. Ninguém é obrigado. Tem muita coisa irregular, mas também muita coisa com documento”, diz um vendedor.

A feira tem outros apelidos: “Shopping do Amor”. “Antigamente, tinha muita prostituição”, explica outro morador.

Gente que se vira como pode. O tamanho da população é um dos grandes trunfos de Ceilândia: 600 mil pessoas. O maior colégio eleitoral do DF. Com a força desses números, Ceilândia se tornou a sede do carnaval brasiliense e também ganhou metrô. Mas falta shopping, cinema.

Por outro lado, sobram talentos. Percília conseguiu editar sete livros. Fundou o primeiro grupo de teatro da cidade e é presidente da Academia de Letras de Ceilândia, com 35 escritores. “Tem todo tipo de arte e todos estão convidados a participar”, destaca a escritora Percília Toledo.

“Ceilândia é uma mãezona que abriu os abraços e acolheu o povo com todo carinho. Para cada um ela deu um jeitinho de vida, né?”, afirma Adelaide Sá.



Fonte: Rede Globo