sábado, 28 de agosto de 2010

Trecho é interditado

A partir deste sábado (28/8), as vias marginais norte e sul da Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG), próximo ao viaduto de Águas Claras, serão interditadas. Todo o fluxo será direcionado para as vias expressas. Outra mudança ocorrerá no acesso à Estrutural, próximo ao viaduto da Estrada Parque Vale (EPVL ou pista do Jóquei), onde os motoristas terão de pegar um desvio para acessar a EPVL, e não mais passar por baixo do viaduto da pista. As modificações devem durar 30 dias e são necessárias para a conclusão dos trevos na EPTG.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Transportes, os motoristas com destino às colônias agrícolas Samambaia e Vicente Pires, pela pista expressa Norte (sentido Plano Piloto/Taguatinga), terão acesso pelo Taguaparque.

Condutores que quiserem ter acesso a Águas Claras e pegarem a pista expressa Sul (sentido Taguatinga/Plano Piloto) podem optar pela via do Taguatinga Shopping ou pelo viaduto Israel Pinheiro. Quem vier de Taguatinga e quiser acessar a Estrutural deve utilizar o retorno provisório após o viaduto da EPVL, pois o desvio atual será fechado.

Não haverá alterações no tráfego para os motoristas que vêm das pistas do Lúcio Costa, Guará e outras regiões ao longo da EPTG.



Fonte: Correio Braziliense e Rede Globo

Quiosques abandonados foram retirados

Uma operação para a remoção de carcaças abandonadas de quiosques foi deflagrada no último dia 26/08/10, em Ceilândia, pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). Até o final da tarde, os agentes esperam remover oito carcaças em vários pontos da cidade. Um levantamento aponta que existem 600 quiosques na regional, sendo que 15% (90 estruturas) estão em situação de abandono. As estruturas se encontram em mau estado de conservação e, de acordo com as denúncias recebidas pelo órgão, servem de reduto para usuários e traficantes de drogas.

Segundo Lucilene Abreu, gerente de fiscalização da Agefis, a agência promoveu essa ação a pedido da Administração. “A partir de denúncias da população de que esses espaços serviam de pontos de droga, a administração fez um levantamento dessas áreas e entrou em contato com a Agefis. Também recebemos informações de que esses quiosques servem para armazenar latas de merla. Essa remoção serve para promover a segurança da população e desobstrução das vias públicas”, afirmou a gerente.

Ainda de acordo com a gerente, nenhum proprietário apareceu para reivindicar as estruturas. A operação contou com oito caminhões, uma pá mecânica e um caminhão Muck, além de seis auditores e 20 agentes de apoio, policiais militares e técnicos da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). O material recolhido será enviado ao depósito do SIA e os proprietários têm prazo de 30 dias para retirá-lo. As denúncias sobre esse tipo de ocupação devem ser feitas pelo telefone 156.

Para Eva Barbosa Costa, moradora da Ceilândia, a ação terá um efeito positivo na cidade. “Concordo com a retirada desses quiosques abandonados. Estou tentando conseguir junto à administração um local para construir o meu”, contou.



Fonte: Mais Comunidade

Lago Sul faz 50 anos

O Lago Sul está em festa. No mês de agosto, o bairro completa 50 anos de existência, 127 anos do Sonho-Visão de Dom Bosco e 53 Da construção da Ermida Dom Bosco. Para comemorar as datas foi montada uma programação especial com atrações a todos os gostos. A abertura das festividades acontece neste domingo, dia 29, e segue até a segunda, 30.

No domingo, a partir das 6 horas, uma caminhada sairá do Santuário Dom Bosco, na 702 Sul, com destino à Ermida Dom Bosco. Às 11h, será realizada a tradicional missa com celebração do arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, e pelo reitor-mor Padre Pascual Chávez.

Os festejos para o Lago Sul seguem durante todo o dia no Pontão do Lago Sul com apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, às 19h. Na segunda-feira (30), será realizado Culto Evangélico no Auditório da Administração Regional do Lago Sul, localizado na QI 11, Área Especial nº 01.

Todos estão convidados a participar das festividades do bairro, que possui, aproximadamente, 26 mil habitantes, e detém IDH maior do que países de primeiro-mundo, como a Noruega e Suécia.



Fonte: Tribuna do Brasil

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Time que entrou na vaga da Ceilandense na "D" vence e tira o Ceilândia da competição

Pela sexta, e última, rodada da primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro, o inesperado aconteceu. Brasília e Ceilândia fizeram um dos confrontos decisivos pela classificação no grupo A6, na tarde deste domingo, no estádio Serejão, em Taguatinga. O Gato Preto era o líder da tabela e precisava apenas de um empate para segurar a vaga. Mas com uma vantagem construída após dois gols, marcados por Maninho e Thiago SIlva, o Colorado Candango levou a melhor, garantiu o passaporte para a próxima fase da competiçao e, de quabra, como líder do grupo.

Logo no primeiro minuto, Liel chegou chutando a gol, a bola passou pela zaga, Thiago tentou a finalização, mas não conseguiu completar. Aos 14, após receber em lançamento de profundidade, Thiago Felix chegou na cara do gol, mas o goleiro Osmair salvou o Brasília. Dois minutos depois, o Brasília chegou com Claudionor, pela direita, tirando da zaga e tentando achar o gol, mas Donizetti ficou com a bola, salvando o Ceilandia. No lance seguinte, quem chegou foi Thiago Silva e novamente Donizetti salvaou.

Aos 25, Thiago Felix chegou pela direita e cruzou para Dimba finalizar, mas o Goleiro Osmair interceptou a bola, mantendo o empate e 0x0. Quatro minutos mais tarde, Maninho arriscou um chute de fora da área, que passou assustando o goleiro Donizetti.



Maninho, então, abriu o placar, aos 34, em cobrança de falta. A bola passou por sobre a barreira e foi direto para o gol, sem chances de defesa do goleiro Donizetti. Brasília 1x0. Aos 43, Zé Ricarte, de fora da área, tentou o segundo do Brasília, mas a bola passou rente ao travessão.

De volta para o segundo tempo, o Ceilândia começou pressionando. Allan Delon cobrou falta da entrada da área direto para o gol, mas o Osmair salvou a equipe do Brasília. Aos quatro minutos, quem tentou pela lateral direita foi Lucas, que chegou batendo cruzado, mas a bola foi amortecida pela zaga, ficando fácil para a defesa do goleiro Osmair.

Aos 16, Adriano Paraná chegou chutando pela lateral da pequena área, mas pegou mal na bola, que saiu pela linha de fundo. No contra ataque Thiago Felix, arriscou da entrada da pequena área, mas o goleiro segura, impedindo o gol de empate do Celiândia.

O jogo seguiu disputado, até que aos 31, Thiago Silva driblou seu marcador entrada da área e bateu para o gol, deixando Donizetti sem possibilidades de defesa e marcando o segundo do Brasília.



Já no final, aos 48, Alan Delon arriscou, da entrada da grande área, a bola passa por todo mundo sem ser finalizada, indo em direção a linha de fundo.

Maninho, autor do primeiro gol Colorado, falou sobre a partida “Foi um resultado muito importante para o grupo. Temos homens e profissionais e hoje foi mostrado isso. Quando se trabalha em equipe é melhor para todo mundo e o resultado apareça. Dedico essa vitória para o Marquinhos Carioca que sempre acreditou na gente e em nenhum momento duvidou do nosso potencial”.

O goleiro Osmair, um dos grandes nomes do jogo, também deu sua impressão sobre a classificação. “O jogo foi difícil, tivemos um extra-campo complicado, mas mostramos do que somos capazes. Sempre deram visão ao Ceilândia, colocando-os como favoritos, mas demos nossa resposta dentro das quatro linhas, mostrando o nosso potencial. Hoje a nossa equipe está de parabéns”.

O comandante Marquinhos Carioca aproveitou para parabenizou a equipe. “O grupo está de parabéns e mereceu esta vitória. Agora vamos nos preparar para uma outra fase da competição e buscar o nosso objetivo”.



Fonte: Esporte Candango

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dia decisivo para equipe de Ceilândia

Brasília e Ceilândia decidem seu destino na Série D do Brasileiro às 16h deste domingo, no estádio Serejão, em Taguatinga. Até o momento, o Gato Preto ocupa a colocação mais almejada por todas as equipes do grupo A6, o primeiro lugar. Mas a classificação ainda não está garantida e pode chegar com uma vitória simples, ou mesmo um empate, já que com uma igualdade somente o Araguaína poderia ultrapassá-lo dependendo do saldo de gols. Ao Colorado, só interessam os três pontos, uma vez que qualquer outro resultado o levará a depender dos demais adversários para seguir em frente.




Precisando apenas do empate para garantir matematicamente a classificação à próxima fase, o Ceilândia terá de superar os três desfalques importantes para a partida diante do Brasília. O volante Vieira e o lateral-direito Paulo Ricardo receberam o terceiro cartão amarelo e estão suspensos, bem como André Conceição, que foi expulso na rodada anterior, frente ao Araguaína.

A boa notícia da semana foi a volta do zagueiro Panda, que retornou ao Gato Preto e já está à disposição do treinador Adelson de Almeida. O mais cotado para substituir Paulo Ricardo na ala-direita é Rafinha. Já para a vaga de Vieira, Liel terá a responsabilidade de reforçar a marcação no meio-campo. A outra novidade pode ser a entrada de Augusto, substituindo o suspenso André Conceição.

Formando o trio de zaga, Edmar retorna ao trio defensivo, ganhando a vaga de Rodrigo Mello. Em caso de empate, o Ceilândia garante a classificação sem depender do resultado da outra partida entre Araguaína e Botafogo. O atacante Dimba sabe que o time precisa entrar em campo com um só pensamento: buscar a vitória. “Temos que entrar em campo com muita humildade e sabendo que vamos encontrar um adversário muito forte, mas vamos em busca do resultado positivo”, crava.



Brasília x Ceilândia - 22/03/10 - domingo - 16h00 - estádio Serejão (Taguatinga-DF)


Fonte: Esporte Candango

Rosso conta um pouco de sua experiência como governador

Ao contrário do que se poderia imaginar, foi justamente a experiência como executivo de multinacionais como a italiana Fiat e a alemã Mercedes-Benz, entre outras empresas, que levou o governador Rogério Rosso a mudar o percurso do seu destino, partindo da iniciativa privada para a área política. Segundo ele, a grande bagagem adquirida no mercado foi de extrema valia para a gestão pública, que também só é eficaz se trabalhar a partir de resultados, a exemplo do que ocorre no âmbito empresarial. A mudança começou quando Rosso recebeu convite para ser diretor da marca alemã no México. Com raízes telúricas profundamente fincadas em Brasília, berço que o abrigou quando aqui chegou ainda criança, Rosso se viu diante de um impasse.

Tudo porque se abria para ele também a possibilidade de governar o Distrito Federal, que padecia de um vácuo administrativo, depois do escândalo produzido pela Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal. A crise chegou ao auge com a prisão do então governador, José Roberto Arruda, que renunciou ao cargo. Juntamente com ele, alguns deputados distritais também tiveram seus mandatos implodidos pela falta de ética. Após a renúncia, o Executivo do DF ficou acéfalo. Para resolver a situação, foi necessário convocar um substituto, para um mandato-tampão de nove meses. Rogério Rosso resolveu disputar o cargo, que acabou conquistando.

Quatro meses depois, durante um almoço em sua residência particular, no Lago Sul, ele revelou a Brasília Em Dia que os primeiros dias foram difíceis, até porque não assumiu o GDF em uma transição normal, com um espaço de tempo para planejar o que teria de fazer, logo depois da posse. No dia seguinte, ele já teve que resolver problemas estruturais que não podiam ser adiados: “Entramos na locomotiva, com ela andando, e agora se vira”. Como se isso não bastasse, havia ainda um pedido de intervenção federal no DF em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Diante de todo esse coquetel de problemas, os brasilienses ficaram com baixa estima. Por isso, era preciso revigorar a imagem de Brasília, para que ela continuasse sendo uma referência para o país. Na entrevista, o governador tratou também do conceito de “poder”, afirmando que “o poder pelo poder é pobre, fraco e ruim”. Além disso, sentenciou: “Você tem o mandato, que tem de ser utilizado da melhor forma possível, para ajudar e fazer, em pouco tempo, muita coisa boa. Isso é o poder...”.



Para ler na íntegra, visite o site da fonte.


Fonte: Brasília Em Dia

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Panda reaparece no Ceilândia

O zagueiro Panda, campeão candango pelo Ceilândia, voltou ao time três meses após o título. Titular durante boa parte da campanha vitoriosa no primeiro semestre, o jogador de 27 anos estava no Mato Grosso, onde jogou pelo Primavera, da cidade de Primavera do Leste. Segundo ele, o pensamento é repetir o trio vitorioso no Candangão. “Estou bem fisicamente. Respeito o pessoal que está jogando, mas vou procurar meu espaço. Não vai ser fácil, mas estou à disposição do Adelson pra jogar. Espero que ele continue confiando em mim, como aconteceu no estadual”, prometeu Panda, admitindo que tem condições de jogo.


Fonte: Jornal Coletivo

sábado, 14 de agosto de 2010

Ceilândia vence o Araguaína-TO

O Ceilândia fez o seu papel na tarde deste sábado. Pela quinta rodada da primeira fase da Série D, o time recebeu o Araguaína-TO, no estádio Abadião e com um gol do atacante Dimba venceu por 1x0, o suficiente para assumir a ponta da tabela do grupo A6 e dar um importante passo rumo à classificação para a próxima etapa da competição.

Na próxima rodada, a última da primeira fase, o Ceilândia visitará o Brasília. Já o Araguaína receberá o Botafogo-DF.




Sócio torcedor

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Fonte: Esporte Candango

A coragem de um ceilandense de coração

Mora na QNM 7 um cordelista de nome Joaquim Bezerra Nóbrega, filho de um bravo candango que veio para Brasília em 1959 trabalhar na construção do 28. Dez anos depois, o pai foi buscar família. Joaquim era um adolescente quando foi morar na Vila Tenório. De lá, a família foi removida para Ceilândia. Até hoje, o barraco de madeira está lá, encantoado pela alvenaria da casa da frente. No começo desta semana, a casinha pioneira, colcha de retalho de madeira, começou a ser desmontada, tábua a tábua, para dar lugar a uma nova moradia.

Joaquim tem 57 anos, mas a dureza da vida lhe impôs uma velhice precoce. O poeta cordelista participou do inesquecível Movimento dos Incansáveis Moradores de Ceilândia, a mais ativa mobilização de sem teto da história de Brasília. Nos anos da ditadura, Joaquim escreveu Terracap contra Ceilândia, que serviu de base para uma dissertação de mestrado em sociologia da professora Safira Bezerra Amam, da UnB. O poeta paraibano gosta de contar que já foi convidado para debates universitários e se sentou ao lado de “altos acadêmicos”. O clássico cordel que conta a história do começo de Ceilândia está esgotado, mas Joaquim ainda guarda alguns exemplares de títulos preciosos, como o ABC de Ceilândia, em homenagem aos 37 anos da cidade que em 2011 completará 40 anos.

Joaquim registra o outro lado da história, o dos candangos que não estavam nos planos dos construtores da cidade. Fala de uma história “há muitos anos passados”, de um povo que teve o destino traçado para construir uma cidade em “terreno abandonado”.

De como foram iludidos: “Garantiram que aqui tinha/Tudo que se precisava/E com a Ceilândia a gente/A toda hora sonhava/Pra ver Ceilândia crescer/A população esperava”.

De como tiveram de ocupar com a coragem candanga o descampado sem começo nem fim, bem longe do Plano Piloto. “Quando chegava a Ceilândia/ Todo esse pessoal/ Parecia gado soldo/ No meio do matagal/ Era aquela correria/ Parecia um festival/Rezar era a melhor saída/ Pra se livrar do que se via/ Cobra e minhocuçu/ Toda hora aparecia/ No começo de Ceilândia/ Tudo isso aqui existia”.

Mais de três décadas depois, “morar em Ceilândia é orgulho/ Que a cada dia desperta/Onde não existia nada/E era área deserta/ Foi esta a única saída/ Pra fazer a coisa certa”.

Imortal da Academia Ceilandense de Letras, Joaquim escreve sua obra popular num cantinho do barraco de madeira, enquanto ele ainda não for derrubado de todo. Escreve à mão, depois pede pra alguém passar para o computador. Faz algum tempo, um certo deputado distrital prometeu editar o mais recente cordel de Joaquim, mas ficou só na promessa. Nenhuma novidade. A novidade é que Joaquim Bezerra Nóbrega continua contando a história do povo de Ceilândia. “Zelar por ti ó Ceilândia/ É a minha obrigação/ Acompanhei-te no começo/ Falo-te e não minto não/ Parabéns, minha Ceilândia/ Que eu guardo em meu coração”.


Conceição Freitas


Fonte: Correio Braziliense

Conheçam o pedreiro poeta

Fácil, não foi. Mas foi um projeto longamente cultivado. Os oito irmãos de Donzílio Luiz de Oliveira já haviam descido para São Paulo e Brasília, mas coube a ele ficar com a mãe viúva. Até que, três meses antes da inauguração da nova capital, o repentista de 26 anos desceu na Cidade Livre, com um matulão e uma viola. “Lembra da música? ‘Minha mala era um saco e o cadeado era um nó’”, conta o pernambucano de Itapetim, poeta, escritor, charadista, repentista, cordelista, trovador e morador de Ceilândia desde 1972.

Foi difícil se adaptar à nova capital: “Achei tudo muito bonito, muito bom, só o que ficava esquisito era a convivência da gente, faltavam os amigos. Você sai de um costume e entra noutro. Não tem jeito de não estranhar”. No primeiro ano de Brasília, o pedreiro-trovador padeceu de uma tosse crônica, “que virou coqueluche”. Procurou o médico e ouviu: “Tem um remédio muito bom pra você. Volta pra sua terra”. Foi a deixa para Donzílio começar uma rotina de ir e vir, Brasília-Itapetim, que durou nove anos.

“Trabalhava uns tempos aqui, voltava pra lá de novo. Aqui era o lugar de faturar um dinheirinho, lá não tinha. Chegava lá e comprava uma vaquinha, um cavalo, que naquele tempo era o Vectra de hoje.” Da primeira obra em Brasília, a Escola Classe 210 Sul, o pedreiro-cordelista passou por muitas outras até se aposentar, em 1998. Nos intervalos das obras, Donzílio escrevia seus cordéis. A inspiração vinha da terra natal e das novas experiências vividas.

Um dia, no descanso do almoço, na obra da sede da Caixa Econômica Federal, no Setor Bancário Sul, o poeta-trovador pegou um papel que o vento fazia rolar pelo cerrado. Estava sujo, manchado de orvalho, mas ainda deu para ler uma frase: “Não te amarei jamais”. Donzílio entendeu que aquela letra feminina anunciava o fim de um romance. Nascia daí um soneto.




Enquanto fazia charadas, escrevia poemas, publicava cordéis, Donzílio trabalhava de pedreiro, depois de encarregado, mais tarde de mestre de obra. Até conseguiu um emprego de auxiliar de escritório, que seu ensino fundamental completo permitia. “O pagamento de um mês de trabalho era menor do que o de uma semana numa obra de Brasília.” O trovador voltou para o pesado, que lhe deu um pequeno patrimônio, do qual consta uma casa confortável na QNN2.

Donzílio é duplamente bravo candango, porque ajudou a construir Brasília e porque foi um dos primeiros moradores de Ceilândia. “Fui tirado da Vila Tenório e levado pra lá em 1972. Era tudo terra, pó, vento e só. Até rimou, né?” Nos primeiros tempos, a cidade nascida de um projeto monumental de erradicação de invasões era lugar bravio pra se morar. “Naquela época, aqui, só prestava o dinheiro.” Quase 40 anos depois, a cidade foi domada. “Graças a Deus, não tenho do que reclamar, não. Mas foi difícil, principalmente no começo.”

Aposentado, viúvo, único filho empregado em um órgão público do Distrito Federal, Donzílio vive de escrever seus livros, de dar palestras, de frequentar as academias literárias ceilandenses e de voltar a Itapetim. “Vou duas vezes por ano.” Tem um computador, modelo CTR, uma escrivaninha grande de metal, muitos livros para ler e a viola pendurada na parede. “Considero uma riqueza o que tenho. Ninguém precisa mais do que o necessário.”



Para ler na íntegra visite o site da fonte.


Fonte: Correio Braziliense