terça-feira, 14 de outubro de 2008

Indenização

A decisão é unânime e não cabe mais recurso: o motorista estressado vai ter que indenizar por danos morais e materiais a condutora por ele agredida verbalmente no semáforo que liga Samambaia a Taguatinga Norte. A sentença dada pelo 1º Juizado Especial Cível de Ceilândia foi confirmada pela 2ª Turma Recursal do TJDFT. O valor da indenização é de R$ 3.070,00, R$ 2.500,00 por danos morais e R$ 570,00 por danos materiais.

O fato ocorreu em março de 2007. A requerente conta que por volta das 12h30 parou seu veículo no semáforo, quando foi surpreendida por gritos e xingamentos do motorista que estava atrás do carro dela. Afirma que em determinado momento, o réu desceu do outro automóvel, foi até o veículo da requerente, introduziu a cabeça pela janela lateral e, aos berros, continuou a lhe insultar.

Sem saber o que detonara tamanha ira, a mulher assustada deixou o carro morrer, atrapalhando temporariamente o tráfego. Ao perguntar o que tinha feito, obteve do réu a resposta de que teria deixado seu veículo descer e encostar no dele. Não satisfeito com os impropérios desferidos, o réu voltou ao seu veículo e acelerou empurrando o carro da motorista várias vezes, o amassando.

Em audiência de instrução e julgamento, o réu contestou a versão da autora e alegou que ao sair do carro queria apenas saber se a mulher estava passando mal, já que ela deixara o carro descer e colidir no dele. Que a requerente é quem teria lhe xingado imotivadamente e as agressões verbais passaram a ser recíprocas a partir daí.

A autora apresentou testemunha compromissada que confirmou o desenrolar dos fatos por ela descritos. A testemunha do réu não prestou compromisso por se tratar de parente. A perícia concluiu que a avaria causada no carro da requerente é compatível com a versão por ela apresentada.

Do ponto de vista da indenização por danos morais, o juiz explicou na sentença: “os fatos apontam no sentido de que o réu deu causa à ocorrência. O fato do semáforo estar em rua com declive, argumento apresentado pelo motorista, e que isso poderia em tese ter ocasionado a leve colisão entre os veículos, não justifica a maneira de agir do réu. Infere-se do quadro desenhado que a requerente teve, sim, o direito da personalidade relativo à honra lesionado.” De acordo com o magistrado, a honra pode ser tomada como a boa reputação construída ao longo de toda uma vida e, nesse caso, maculada pela conduta do réu.

Inconformado, o motorista interpôs recurso pleiteando a reforma da sentença, mas teve o pedido negado pela 2ª Turma Recursal.


Fonte: Clica Brasília

Inquilino é acusado

A Polícia Civil prendeu, nesta segunda-feira (13/10/08), um homem acusado de matar uma mulher, de 76 anos, em Ceilândia. O crime foi na QNO 16, conjunto 61, casa 27.

De acordo com informações dos agentes, Maria Alves de Oliveira caminhava na entrada de casa quando foi surpreendida com quatro facadas. Os golpes atingiram o peito, as costas e o pescoço da vítima. O autor do crime é inquilino da aposentada e morava há um mês em uma casa no fundo do lote.

Ainda segundo a polícia, Antônio Rodrigues de Almeida, de 35 anos, disse em depoimento, ter cometido o crime por excesso de raiva, porque não aguentava mais ouvir as cobranças de Maria.

Antônio, que é auxiliar de pedreiro, voltou ao trabalho depois do crime. A polícia ainda informou que ele teria revelado o crime a um amigo, que negou a ajudá-lo.

O acusado responderá por homicídio qualificado, por motivo torpe. O crime prevê pena de 12 a 30 anos de prisão.


Fonte: Clica Brasília, Jornal Coletivo, Correio Braziliense e Band Cidade de 14/10/08

Trilha Jovem



GRANDE CHANCE:


O Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UnB) oferece curso de capacitação gratuito para 180 jovens carentes que residem em Taguatinga e Ceilândia. Trata-se do projeto Trilha Jovem, que tem a intenção de proporcionar a formação e a inclusão socioprofissional dessa parcela da população no setor de turismo, que tem grande potencial na capital federal. Até agora o programa já beneficiou muitas pessoas em várias cidades brasileiras.

“O projeto contribui para a redução dos índices de desemprego entre os jovens, uma vez que dá uma chance de inserirem-se no mercado de trabalho. Além disso, Brasília tem grande potencial na área turística, sobretudo, tendo em vista a possibilidade da Copa de 2014 acontecer na cidade, o que requer mão-de-obra qualificada”, disse Ariadne Bittencourt”, do CET UnB.

O período de pré-inscrições acontece de hoje (13/10/08) a quarta-feira (15/10/08), na faculdade Facitec, que fica na CSG 9, lotes 15/16, em Taguatinga. Para participar, é necessário que os candidatos tenham entre 16 e 24 anos de idade, renda familiar de até três salários mínimos, e sejam alunos do Ensino Médio em escolas da rede pública ou tenham se formado neste nível educacional até dezembro de 2006, além de serem moradores das regiões citadas. Mais informações pelo número 3356-8150.


Fonte: Jornal Coletivo

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vídeo: vencedora mirim

Desde às 9h, quando começaram as primeiras baterias da 2ª Corrida Candanguinha, o Autódromo Internacional Nelson Piquet se transformou em um dos lugares mais animados da capital, no ensolarado Dia da Criança. Cinco mil meninos e meninas, entre 5 e 12 anos, disputaram as 150 baterias da maior prova infantil da América do Sul. Gente como a pequena Rafaela Gonzaga, de apenas 5 anos, que venceu uma das baterias e levou para casa uma bicicleta novinha. “Mamãe, eu ganhei a bicicleta. Eu falei que ia ganhar e ganhei!”, comemorou a garota, moradora do P Sul, em Ceilândia.

Além das crianças, centenas de amigos e parentes dos atletas mirins compareceram e se esbaldaram na praça de diversão montada ao longo dos boxes. Um dos mais empolgados era o governador José Roberto Arruda, que prestigiou o evento. “A Candanguinha é uma grande festa, porque é uma celebração da família e já entrou para o calendário oficial de eventos do Distrito Federal”, afirmou.


Veja o vídeo: Correio Web / Tv Brasília

Fonte: Correio Braziliense e Jornal Local de 13/10/08

Crescimento de Ceilândia

O crescimento ao redor de Brasília foi tão rápido e intenso que, antes mesmo da consolidação de cidades como Ceilândia, Planaltina e Sobradinho, surgiram invasões para abrigar as pessoas que ficaram de fora das regiões planejadas. Essa movimentação dentro do território do DF deu início a um fenômeno chamado pelos especialistas de “a periferia da periferia”. Arapoanga, Mestre d’Armas e Vale do Amanhecer, por exemplo, cresceram em função de Planaltina e dela dependem. Itapoã virou quase um adendo do Paranoá. Sol Nascente e Pôr-do-Sol são a extensão mais pobre de Ceilândia. Em comum, elas sofrem com a ausência de infra-estrutura. O cenário da periferia da periferia também representa um desafio em dobro para o governo: terminar o que está inacabado e dar o mínimo de estrutura para os novos bolsões de pobreza. Como o Correio mostrou ontem, o Distrito Federal registrou um aumento de 132% na ocupação do território urbano nos últimos 22 anos — hoje a população está espalhada por 65 mil hectares contra 28 mil em 1986.

A babá Elisângela Rodrigues da Silva, 27 anos, faz parte desse grupo de pessoas que optaram por um local sem infra-estrutura em busca da casa própria. Ela morava com o marido e a filha de oito anos em Ceilândia Norte e pagava R$ 250 de aluguel todos os meses, além de R$ 40 de água e luz. Há dois anos, os Silva compraram um terreno no condomínio Sol Nascente. Pagaram R$ 5 mil pelo lote e, pouco a pouco, construíram a casa simples, de apenas um cômodo. Feliz com a conquista da casa própria, Elisângela — grávida de oito meses do segundo filho — ainda sonha com melhorias para a região. “Fico feliz por ter a minha casa, mas é muito difícil morar aqui. A gente sofre com a poeira e com o cheiro de esgoto. E já fui assaltada por um homem armado quando caminhava até a parada de ônibus”, conta a babá.


Paralelamente à implantação da infra-estrutura nas novas periferias, os técnicos do governo terão que evitar o surgimento de mais assentamentos irregulares. “A saída para isso é planejar o crescimento. A principal meta é criar estoques de áreas para serem utilizadas de forma ordenada. Não existe como impedir o crescimento natural da população, mas temos meios de organizá-lo”, garante o diretor-técnico da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Luis Antônio Reis.

O professor de arquitetura e urbanismo da UnB Aldo Paviani também defende a ocupação de áreas em eixos de desenvolvimento já consolidados. “Se o planejamento for efetivo, será possível distribuir a população em locais adequados. A verticalização é uma saída, desde que não se criem aberrações como Águas Claras, em que os prédios têm mais de 20 andares. Edifícios de três, quatro andares em Ceilândia poderiam abrigar um número grande de famílias”, explica Aldo. “Dessa forma, os moradores teriam qualidade de vida, com água tratada e acesso a transportes públicos.”

O fenômeno do surgimento das periferias das periferias não é exclusividade do DF. O especialista em políticas urbanas e professor da Universidade de São Paulo Nabil Bonduki lembra que a capital paulista e o Rio de Janeiro também tiveram que enfrentar esse problema. “Nova Iguaçu, por exemplo, tem uma série de ocupações em seus arredores. Em Itapevi, em São Paulo, também observamos periferias com diferentes graus de consolidação. As áreas mais próximas das estações de metrô normalmente são mais organizadas”, explica Nabil.


Fonte: Correio Braziliense

domingo, 12 de outubro de 2008

Imagem: Casa do Cantador


Inaugurada em 9 de novembro de 1986 e localizada em Ceilândia, cidade que concentra um grande número de imigrantes da Região Nordeste, a casa do cantador é considerada o Palácio da Poesia e da Literatura de Cordel no Distrito Federal. O local é palco de apresentações de grandes nomes da cultura nordestina, como cantores de repente e embolada; exposição de culinária nordestina, inclusive a cozinha do local recebeu o nome de Maria Bonita; oficina de música e trabalhos de inclusão digital. Conta também a biblioteca batizada de Patativa do Assaré, na qual é possível encontrar um grande acervo de cordéis, entre eles exemplares de Jorge Amado e Ariano Suassuna.

Além de centro de cultura, a casa possui um alojamento com a estrutura semelhante à de um pequeno hotel. Quando grandes escritores de outros estados vêm à Capital Federal para participar de eventos, podem ficar alojados na casa gratuitamente por um período de até 40 dias. Isso contribui para que artistas que não têm muitos recursos possam vir apresentar seus trabalhos em eventos no Distrito Federal, como a Feira do livro. Além de aumentar o intercâmbio entre os artistas do DF e de outros estados.

Projetada por Oscar Niemeyer, a casa é a única obra do arquiteto fora do Plano Piloto. Sua arquitetura é mantida quase original, visto que a administração anterior fez algumas alterações, na qual tirou uma porta e acrescentou janelas de vidro. A atual administradora alterou as cores da fachada e teve que voltar a pintura original por exigência do próprio Niemeyer, que não permite modificações em suas obras. A casa apresenta uma concha acústica que permite a evasão do som para todo ambiente, assemelhando-se a um teatro, onde é possível ouvir com clareza até nas últimas fileiras da arquibancada. Essa característica torna a casa um ótimo palco para a propagação da cultura nordestina, seja por meio da música ou do teatro.




Para ver mais, clique no link do blog Casa do Cantador.

Homens de brio

Ainda há honestidade e brio no mundo. E não creio que seja artigo tão raro assim. Pois vejam o que aconteceu com o Joelson, infografista do Correio. Ele perdeu a carteira com os documentos pessoais e cartões de débito e crédito. Correu para bloquear os cartões. Já tinha perdido boa parte do dia, da noite de sono e do bom humor, quando foi à banca de revista a caminho do trabalho, hábito diário.

— O senhor esqueceu sua carteira aqui ontem. Não sabia como avisá-lo. Fiquei esperando que senhor voltasse, disse-lhe o dono da banca. — Veja se está tudo em ordem.

Não sem constrangimento, Joelson conferiu a carteira. Tudo no lugar. Fosse um homem menos contido, Joelson teria abraçado e beijado o jornaleiro, mas sua timidez o impediu de gestos mais debragados.

Agradeceu, saiu, foi ao caixa eletrônico e voltou para gratificar o jornaleiro.

— De jeito nenhum…, era minha obrigação.

— Por favor, aceite, é de coração.

— De modo algum, repetiu o dono da banca.

Joelson insistiu até que o jornaleiro contraiu os músculos do rosto, como quem diz: "O senhor está me ofendendo…". Joelson desistiu.

Ao saber dessa história, o Lafetá contou a sua. A bolsa da mulher dele, Vânia, foi roubada. O casal já estava dando os telefonemas de praxe, quando um morador de Ceilândia ligou para dizer que tinha encontrado a bolsa e nela um número de telefone.

Lafetá foi ao encontro do homem. Pegou a bolsa e conferiu os pertences da mulher — com o mesmo constragimento de Joelson. Mas antes de ir para Ceilândia, Lafetá armou-se de uma quantia em dinheiro.

— Eu me disse que tinha de gratificar aquele homem, mas não com qualquer trocado. Tinha de ser um valor que doesse no meu orçamento.

Lafetá queria presentear o homem com um salário mínimo, mas o cidadão ceilandense não aceitou de jeito nenhum. Lafetá insistiu, mas o senhorzinho continuou firme:

— Não fiz isso por dinheiro. Fiz o que gostaria que fizessem comigo numa situação dessa.

O jeito foi agradecer penhoradamente e se despedir do benfeitor.

Mas antes de sair, Lafetá deixou o dinheiro sobre um móvel, sem que os moradores percebessem.

Pouco tempo depois, recebeu o telefonema da mulher do morador. Ela chorava, agradecia e dizia que eles estavam passando necessidade, que o marido era muito sistemático, mas que aquele dinheiro vinha em muito boa hora.


Fonte: Blog Correio Braziliense

132% a mais

Numa folha amarelada de papel, Deusamar de Jesus, 46 anos, resume o sonho de uma vida e revela um problema social. O “documento” é o esboço de uma planta: WC, quarto 1, quarto 2, sala, cozinha, área de serviço. Os riscos no papel, desenhado à mão pela copeira, estão de pé. Viraram uma casa própria, erguida há dois anos bem no meio de uma das maiores invasões recentes do Distrito Federal, o Itapoã. “É o meu paraíso”, define. Só que o oásis de Deusa, como é conhecida na vizinhança, não tem esgoto nem asfalto. A construção irregular é um pontinho no universo das ocupações ilegais do DF. Em Itapoã, moram 105 mil pessoas, muitas delas com o mesmo sonho da copeira. Mas o que se tornou praticamente uma cidade nas redondezas do Paranoá é apenas um dos parcelamentos que surgiram sem nenhum tipo de planejamento.

O Correio teve acesso a mapas que detalham o crescimento das ocupações de terra na capital federal. O documento revela uma explosão da ocupação de terras. A política de distribuição de lotes e as invasões de espaços públicos fizeram a área urbana do Distrito Federal crescer 132% em pouco mais de duas décadas. Até 1986, apenas 28 mil hectares do território da cidade estavam ocupados. O DF limitava-se a 12 centros urbanos com uma população de 1,3 milhão de habitantes.

Nos últimos 22 anos, outros 37 mil hectares de terras foram transformados em novas cidades ou em condomínios irregulares. Apenas duas décadas foram suficientes para mais do que dobrar o total de terras ocupadas no quadrilátero, um reflexo da necessidade de acomodar uma população que cresceu em ritmo acelerado. Brasília sempre chamou a atenção de estudiosos por ter uma taxa de crescimento demográfico bem acima da média nacional. De 1986 para cá, a população praticamente dobrou. Hoje a cidade tem 2,4 milhões de pessoas e espera-se para 2020 mais de 3 milhões de moradores.



O crescimento rápido da capital, entretanto, não foi acompanhado pela expansão da infra-estrutura urbana, como rede de água, de coleta de esgoto, iluminação pública, escolas, postos de saúde ou de segurança pública. Ao redor das cidades que se consolidaram, surgiram novas periferias formadas pelo transbordamento dos primeiros centros urbanos. Incentivados pela falta de uma fiscalização efetiva e de uma política conivente com os assentamentos irregulares, os moradores dessas áreas se estabeleceram em busca de terra barata perto do Plano Piloto. Hoje, um quarto de toda a população do Distrito Federal vive nessas regiões ilegais.

O ritmo de crescimento da área urbana da capital também aumentou. Da inauguração de Brasília até 1986, uma média de 1.087 hectares , o equivalente a mil campos de futebol, foi ocupada a cada ano. Desde 1986, esse ritmo tornou-se acelerado. De lá para cá, a média anual de ocupação do território foi 56% superior, ou 1.698 novos hectares de terra se transformaram em parcelamentos urbanos todos os anos. “Tínhamos grande vantagem de o governo ter nas mãos todas as terras públicas, o que era privilégio na América Latina. Com essa vantagem, seria possível planejar a ocupação do território. Mas o governo perdeu esse controle”, avalia o professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Aldo Paviani.



A história da dona-de-casa Neidimar dos Santos Araújo, 47 anos, é um exemplo dessa falta de organização do território. Depois de passar sete anos vivendo de aluguel no Setor P Sul, em Ceilândia, ela decidiu comprar a casa própria. Sem dinheiro para uma moradia regular, cedeu à oferta de um grileiro. Mudou-se com a família para um lote às margens de um despenhadeiro, aberto por uma erosão e a poucos quilômetros da antiga residência. Neidimar abriu mão do asfalto, da rede de esgoto, da iluminação para fugir do compromisso mensal de um aluguel de R$ 250. Mais tarde, acabou sendo deslocada para outro lote, por risco de desabamento. “Preferi morar num lugar pior, mas que fosse meu”, justifica.

A opção dela foi a de outras 7 mil pessoas, que também vivem no condomínio Pôr-do-Sol. A invasão fica ao lado de outro parcelamento, esse de dimensão muito maior, o Sol Nascente. Juntas, as duas ocupações irregulares têm 82 mil moradores, nenhuma escola, nenhum posto policial ou centro de saúde. O asfalto já foi licitado, mas a iluminação é feita na base de gambiarras e a captação de água é improvisada. Sol Nascente e Pôr-do-Sol têm quase a mesma quantidade de habitantes do que o município goiano de Valparaíso. Os dois parcelamentos de baixa renda surgiram há apenas oito anos.


Fonte: Correio Braziliense

Feiras

Dona Laurita Pereira dos Santos, de 65 anos, tem na cabeça o receituário completo. Queda de cabelo? Óleo de mamona. Bronquite? É só comer ovo de pata. Inflamação? Faz chá de arnica. Problemas com a digestão? Espinheira-santa. Proprietária de uma das barracas de raízes mais famosas da Feira Permanente de Ceilândia, Laurita garante que nunca comprou remédio em farmácia. Em caso de doença na família, ela recorre às receitas caseiras que a avó passou para a mãe, a mãe passou para ela e ela compartilha com os clientes.

Os raizeiros, como a baiana Laurita, são um dos tesouros culturais encontrados nas feiras do Distrito Federal. A pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pesquisadores percorreram 10 feiras da cidade. A lista começou na mais antiga - a do Núcleo Bandeirante, e foi até à mais moderna - a dos Importados. “A riqueza cultural desses ambientes é enorme. São lugares que conservam tradições e também as reinventam”, conta a antropóloga Mariza Veloso, professora da Universidade de Brasília (UnB) e uma das autoras do livro ainda inédito Um estudo sobre as feiras permanentes de Brasília.

O interesse do Iphan pelas feiras representa o primeiro passo para que esses espaços sejam reconhecidos como patrimônio imaterial brasileiro. Criada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a categoria de patrimônio imaterial protege manifestações culturais ou lugares que são considerados referência para as tradições populares. “As feiras brasilienses são locais únicos, com uma organização social absolutamente singular. Elas merecem o registro de bens imateriais”, opina Mariza Veloso.

Mas o que há de tão especial nas feiras? A resposta inclui a barganha, o fiado, a troca, a prática de “encomendar” e do comerciante tratar o cliente pelo nome. Atitudes como essas estão dentro do que os estudiosos chamam de “cultura de feira”. Angélica Madeira, também autora do livro, chama a atenção para as diferenças entre essa cultura e a “cultura dos shopping centers”. “No mundo contemporâneo, as relações estão cada vez mais despersonalizadas e mercantilizadas. A regra é que o vendedor seja um anônimo para o cliente e vice-versa”, comenta. “No caso das feiras, as relações pessoais são a forma predominante de interação ”, completa Angélica Madeira, também professora do Departamento de Sociologia da UnB.



“Galega, uma cerveja! Galega, me serve um prato de comida! Galega, bota feijão aqui!”O apelido de Evani Bezerra Santos, 43 anos, é das palavras mais pronunciadas na hora do almoço na Feira Permanente de Ceilândia. Os clientes querem a atenção da loira que há 13 anos comanda as panelas de uma das barracas de comida nordestina do lugar. “Parece que só existe eu aqui”, ralha a bem-humorada Evani com os clientes e as cinco funcionárias. Ela considera a simpatia como uma das qualidades que a fazem prosperar no comércio.

O prato cheio que Galega vende a R$ 5 é mais um exemplo de riqueza cultural das feiras que foi anotado pelos pesquisadores. “As barracas mantêm a culinária tradicional, a comida caseira”, afirma Mariza Veloso, da UnB. No cardápio da barraca de Evani entram variedades como a rabada, o mocotó, o sarapatel, a dobradinha, o baião-de-dois e a galinha caipira. “Sou do Rio Grande do Norte, me criei fazendo comida nordestina”, conta ela que veio para o DF aos 3 anos de idade e ainda menina começou a ajudar a mãe a preparar marmitas.

Na Feira de Ceilândia, onde estão Laurita e Galega, a influência nordestina é grande. Já na Feira do Cruzeiro são os cariocas que dominam o cenário. É comum que se formem rodas de samba e pagode no local nas tardes de sábado e domingo. “A particularidade de cada uma das feiras reflete a cultura dos imigrantes do local onde elas existem”, explica Giorge Bessoni, antropólogo do Iphan que ajudou na edição do livro. Giorge faz mistério, mas diz que entre as 10 feiras analisadas, duas foram indicadas para serem registradas como patrimônio imaterial. Freqüentadores e feirantes, façam suas apostas.



Localizada em um dos pontos turísticos obrigatórios do Distrito Federal, a Feira da Torre é um bom exemplo de como as feiras brasilienses evoluíram do improviso para a profissionalização. Em 1971, quando Oswaldo Rodrigues dos Santos Filho (foto no quadro), aos 16 anos, apareceu por lá para mostrar seus colares de miçangas pela primeira vez, havia apenas alguns poucos hippies no local. Em plena ditadura, eles tentavam fazer valer a idéia de sobreviver por meio dos produtos que fabricavam. “Aqui sempre atraiu turista”, conta Oswaldo que hoje tem 54 anos e além de artesão é funcionário do Banco Central.

No princípio, os hippies expunham as peças sobre cangas e lençóis, o que garantia fácil transporte das coisas. Na década de 80, mesinhas de armar de madeira viraram o mostruário-padrão e o número de artesãos aumentou no lugar. A feira estava ganhando fama e, naquela época, Oswaldo já estava vendendo bolsas, sandálias e cintos de couro. Ele lembra que aos fins de semana repetia o cansativo procedimento de descarregar o carro, armar o mostruário, expor as peças e, ao fim do dia, guardar tudo de novo. “Era uma trabalheira. E quando chovia, tínhamos de parar com a feira imediatamente”, conta.

Na década de 90, as barracas de lona começaram a ser usadas, davam maior conforto aos feirantes e clientes, mas não ofereciam segurança para a mercadoria nem resistiam às chuvas e ventanias. Nesse período, Oswaldo continuava vendendo bolsas, mas havia incorporado a lona como matéria-prima. Foi no início dos anos 2000, que a Feira da Torre ganhou a aparência que tem hoje, com cerca de 600 barracas fixas espalhadas pela área.


Fonte: Correio Braziliense e My Blog

sábado, 11 de outubro de 2008

Broncas do P Sul

É insuportável o fim de semana no setor P Sul. Para ir a qualquer comércio, supermercado, padarias, farmácias, restaurantes e qualquer outro estabelecimento comercial. Seja nas entre-quadras, seja nas avenidas, não tem estacionamentos.

Calçadas são tomadas por carros e mais carros, barulho insuportável a partir das 09 horas, o dia todo: é o carro do ovo, do Supercei, do Veneza, do Barroso, da pamonha, do sorvete, do verdurão, da pipoca, o trenzinho do Supercei apitando (só vale a pena ver a alegria das crianças), do milho, das lojas de móveis, e tem muito mais; isso é vida, é alegria, é gente comprando e vendendo, prosperando, mas te que haver um limite. Tem que ter respeito com os cidadãos, com a audição das pessoas, com a vida.

Corremos riscos todos os dias de sermos atropelados por não haver espaço físico para a população, ou só será feita alguma coisa quando acontecer algo. Como já aconteceu comigo em maio no estacionamento do Supercei - até hoje sinto dor no braço - ou como a senhora que faleceu na faixa de pedestre do P4, há alguns anos, porque não era bem iluminada. Agora já está...


Viviane Morais


Mais:

Continua o grita da população do setor P Sul, em Ceilândia, quanto a qualidade dos serviços de construção de estacionamentos nas vias P2 e P3, apesar de reconhecerem o beneficio, os moradores estranham a demora nos serviços, a falta de planejamento na execução das obras e agora se deparam com um material de acabamento de qualidade duvidosa. Alô governador! Esta na hora de fazer uma visita e ver de perto o acontece.

Fonte: ACIC-DF