quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Homens de Fumaça

O livro de contos Homens de Fumaça, de autoria de Assis Coelho, morador de Ceilândia, será lançado na quinta-feira(08), às 20h, no Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia (Cilc), localizado na QNM 13 – Ceilândia Sul. A publicação, que tem 67 páginas e terá uma tiragem de mil exemplares, relata o cotidiano de pessoas desgarradas, anônimas. De acordo com o autor, seus personagens são pessoas comuns, que orbitam nas ruas, nos becos, nos motéis. “E, alguns, no noticiário nada reconfortante”, adianta.

Homens de Fumaça é uma homenagem a Lima Barreto. “Estou romanceando a vida do escritor, numa narrativa mais longa. Este livro foi apenas um ensaio”, informa o cearense Assis Coelho, que ganhou menção honrosa no Concurso Literário da Asefe, com o conto Caminhada (1999). Ele obteve o 3º lugar no VIII Concurso Literário da Asefe (2000). Publicou o livro de contos Labirinto (2000). É participante da Coletânea Candanga da Academia Ceilandense de Letras e Artes Populares (2008).
Mais informações com Assis Coelho (3378-5221 – 8111-5548).



Fonte: Administração Regional de Ceilândia

Movimento incômodo

O espaço reservado para ser um centro cultural em Ceilândia, na QNN 13, foi tomado por moradores de rua que vivem na obra inacabada de parte do complexo de diversão. O local teria um ginásio coberto, teatro, biblioteca e quadras de esporte. Mas a construção ficou pelo meio do caminho, há 10 anos, com a falência da firma que executava o serviço e o embargo da obra pela Justiça. Desde então, nenhum equipamento mais foi visto nas redondezas. Nem para demolir o esqueleto do ginásio, feito de abrigo para o uso de drogas por mendigos, nem para dar seguimento à edificação das partes que faltam. Apenas a Biblioteca Pública de Ceilândia está construída. Porém, o funcionamento das salas de leitura está ameaçado pela violência nas proximidades. A administração regional decidiu fechar as portas da biblioteca mais cedo, devido aos assaltos constantes na região.

Antes, o lugar ficava aberto das 7h30 às 22h. Atualmente, o expediente vai até as 19h. Quem precisa estudar ali reclama. “Estou me preparando para concurso público e acho um absurdo fechar as portas cedo assim. E quem trabalha o dia todo e estuda à noite?”, questiona o estudante Edson dos Santos, 35 anos, morador do Setor O. “Podiam colocar um posto policial na quadra. Aqui perto, tem escolas e estação de metrô”, sugere.

A biblioteca tem por volta de 68 mil exemplares. Um telecentro com 11 computadores ligados à internet está à disposição da comunidade. Diariamente, em média, 500 pessoas frequentam o local. Há ainda uma sala de leitura especial para crianças, com variedade de temas infantis. A administração investiu R$ 1,8 mil na compra de livros, de janeiro a julho deste ano. Mesmo assim, os usuários não podem usufruir da boa estrutura até mais tarde. O funcionário público Paulo Jânio Freitas, 31 anos, trabalha o dia todo. Ao fim do expediente, ele corre para a biblioteca. “Me sinto prejudicado ao saber que não posso contar com o sossego desse lugar caso eu chegue um pouco mais tarde”, reclama Paulo.

O administrador de Ceilândia, Leonardo Moraes, diz ter negociado com a Polícia Militar um reforço no policiamento, mas sem sucesso. “Infelizmente, a polícia não tem efetivo para atender a essa área com mais atenção”, explicou. Embora os usuários se sintam prejudicados pelo fechamento da biblioteca, eles reconhecem a existência do perigo e temem a presença de usuários de crack instalados na arena de esportes ao lado do prédio. Pelo menos oito pessoas vivem entre as paredes inacabadas. O consumo de drogas é intenso. Há colchões, roupas, artigos de higiene pessoal, baldes e cachorros espalhados por ali. No local, deveria estar um ginásio coberto, com material e estrutura para a prática de esportes. Mas tudo indica que a invasão já está constituída: uma mulher que se identificou apenas como “a dona da casa” disse viver ali há sete anos.

Uma placa enferrujada instalada logo na entrada do que seria o centro cultural indica que a obra é uma parceria entre o GDF e a Caixa Econômica Federal. Mas as construções tiveram de ser interrompidas devido a problemas com a firma vencedora da licitação. Com isso, teve início um processo na Justiça que gerou um embargo judicial, proibindo a continuidade do projeto. O administrador Leonardo Moraes alegou ter conseguido permissão em abril para retomar as atividades interrompidas e, finalmente, entregar o espaço à comunidade. Mas os moradores de Ceilândia ainda terão de esperar por tempo indeterminado. “Não dava mais para incluir a obra no orçamento de 2009. Em 2010, vou tentar junto à Secretaria de Planejamento conseguir a verba”, prometeu Moraes.



Fonte: Correio Braziliense

Nos afetam...

Paradas de onibus

Há meses que o GDF informou que iria implantar e reformar paradas de ônibus em diversos locais do DF. As chuvas já estão se aproximando e em Ceilândia os moradores poderão vir a sofrer novamente com a falta e manutenção das paradas de ônibus. Com a palavra o GDF. Comunicação Social – ACIC


Microônibus

Quem utiliza os microônibus nas ligações bairro - centro de Ceilândia, pode verificar que há questões muito simples de serem resolvidas e que acabariam com a grita pela voltas das horrendas vans. A simples retiradas de uma fila de bancos já melhoraria a acomodação das pessoas nos veículos. Essas e outras modificações poderiam ser identificadas por uma pesquisa qualitativas sobre este meio de transporte da população.


Lixo

A população não consegue conviver com lixo em Ceilândia que há em pontos da cidade. Há que se revitalizar e gramar diversas áreas, permitindo que a população tenha uma sensação de limpeza e conforto. Áreas públicas degradadas restos de comida e de diversos outros objetos. As operações abafa reclamações não são educativas, há que ter constância nas ações de limpeza na cidade. Montanhas de lixo e entulhos continuam às margens da construção do Campus da UnB em Ceilândia.


Passeios públicos

Umas das grandes dificuldades da população e dos cadeirantes em Ceilândia são a falta de calçadas em diversos bairros e o conseqüente rebaixamento destas nas áreas comerciais, o que impede o trânsito dos portadores de necessidades especiais.


Vias públicas

A ligação viária do setor O a via estrutural é uma reivindicação da população que já se arrasta há vários governos. Se não bastasse isso, a entrada do setor P Norte é um caos uma pista única para um fluxo intenso e constante requer a duplicação da via.


Aspecto cênico

A via centro norte, que liga Ceilândia ao centro de Taguatinga, pelo estádio, é um exemplo de abandono, iluminação precária, canteiros em péssimas condições.


Obras inacabadas

A obra do centro cultural de Ceilândia precisa ser concluída. Não dá mais para oferecer a população à desculpa de que a obra está com pendência judicial.



Fonte: ACIC-DF

É do DF

O Distrito Federal vai ganhar uma parcela da população de Goiás. São moradores com endereços nos municípios vizinhos, mas que na verdade, sem saber, construíram suas casas dentro da poligonal que abriga a capital do país. O número de domicílios goianos em território candango é tema de levantamento cartográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão responsável pelo censo habitacional do país detectou uma falha na divisa entre Goiás e o DF e colocou pessoal em campo para identificar com exatidão os limites das cidades do Entorno traçados há décadas.

No Censo de 2000 e nos anteriores, o IBGE ainda não tinha à disposição um instrumento que fizesse uma medição precisa e muitos domicílios situados no Distrito Federal, no limite Sul, foram computados para os municípios goianos. Entre as cidades mais afetadas estão Valparaíso e Novo Gama, que são grudadas em Santa Maria e Gama. Nessas localidades, geralmente uma única rua separa um morador do Distrito Federal de outro do estado vizinho. No próximo ano, quando o IBGE fará o grande censo demográfico, realizado a cada 10 anos, pela primeira vez usará um GPS — instrumento com capacidade para detectar as coordenadas terrestres.

A poligonal do Distrito Federal foi estabelecida na Lei nº 2.874/56. No texto, ficou definido o traçado da linha ao redor do territórios. A confusão ocorreu com a expansão urbana. Com a criação da cidade de Santa Maria, por exemplo, o limite ao Sul foi definido como o Paralelo 16º 03’S, coordenada de difícil identificação sem um GPS. Técnicos do IBGE já comunicaram a imprecisão de endereços à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e à Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), órgão responsável pelas políticas do Entorno. Apenas um estudo preciso vai identificar a extensão da incongruência.

Há uma estimativa inicial de que 3 mil a 5 mil domicílios estão abrigados ao longo da fronteira Sul e poderão ser afetados. Isso significa que até 20 mil pessoas deverão ser atingidas. “Vamos usar equipamentos para medir com precisão os limites. Hoje, sabemos apenas que houve avanços nos territórios Sul e Norte do Distrito Federal”, afirma Maria Aparecida Gomes, responsável no IBGE pelo estudo territorial das regiões do Entorno e do DF.

A reportagem do Correio esteve na fronteira entre Santa Maria e Gama, acompanhada do presidente da Codeplan, Rogério Rosso, para identificar parcialmente a falha. No Bairro Cruzeiro do Sul, várias casas e até um posto de saúde mantido pelo governo de Goiás têm endereço de Valparaíso, mas de acordo com as coordenadas territoriais são situados dentro dos limites do DF. É o caso, por exemplo, da moradia recém-adquirida pela auxiliar administrativa Taluana Savi, com financiamento da Caixa Econômica Federal pelo programa Minha Casa, Minha Vida. A residência com dois quartos, que custou R$ 85 mil, foi registrada na Rua 8 do bairro, mas está situada no Paralelo 16º02’950, a 50 milésimos da fronteira com Goiás.


Para ler na íntegra visite o site da fonte.


Fonte: Correio Braziliense, Rede Globo e Rede Record

domingo, 4 de outubro de 2009

Problemas na eleição de conselheiros tutelares

A Secretaria de Justiça do Distrito Federal encerrou no fim da tarde deste domingo, às 17h16, as votações para escolha dos 165 novos conselheiros tutelares com cômputo de 23.676 votos eletrônicos. O número de votos manuais, usados após uma falha nas urnas eletrônicas, não foi divulgado porque a secretaria ainda não tem os dados.

A apuração deve varar a madrugada e a divulgação do resultado da eleição está prevista para a manhã desta segunda-feira. A contegem dos votos escritos será no ginásio de esportos do quartel da Polícia Militar, no Setor Policial Sul. De acordo com Maurício Albermaz, coordenador de apoio técnico aos conselhos tutelares da Sejus, o órgão ainda não sabe o que causou o problema nas urnas automáticas. "Não se sabe ainda o que provocou a falha no sistema. A prioridade agora é votação", disse.

Albermaz comentou ainda os problemas relatados pelos eleitores. Marcada para começar às 9h, a votação para conselheiro tutelar começou só às 10h. Após o sistema eletrônico cair, as células demoraram muito tempo para chegar às zonas eleitorais. Leitores do Correio entraram em contato com a redação para relatar a existência de longas filas, muita demora e desrespeito aos preferenciais (idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo). A reportagem esteve em algumas zonas e constatou que as denúncias eram fundamentadas."Houve alguns problemas, mas conseguimos resolver todos de maneira rápida", declarou Maurício Albermaz, sem entrar em detalhes sobre as diferentes reclamações.

Atrasos e falhas no sistema também foram registrados em Ceilândia Sul, na Fercal, Brazlândia e Paranoá. Nesta última zona eleitoral, a reportagem presenciou vários transtornos. Em pelo menos dois locais de votação a Polícia Militar teve que ser chamada para controlar a bagunça.



Fonte: Correio Braziliense

sábado, 3 de outubro de 2009

A Ceilandense abre vantagem contra o Unaí-MG

No estádio Abadião, o Unaí até abriu o placar com Esquerdinha, em cobrança de pênalti, e manteve a vantagem na primeira etapa. No tempo final, a Ceilandense marcou com Geraldo, Edicarlos e duas vezes com Paulo Renê, para decretar a goleada por 4 x 1 e abrir uma grande vantagem sobre o time mineiro, rumo à primeirona local de 2010.

Na próxima rodada, a Ceilandense vai ao interior mineiro enfrentar o time da casa.


Fonte: Esporte Candango

Falta de viaturas e policiais

A maior cidade do Distrito Federal, com cerca de 600 mil habitantes, tornou-se um alvo fácil para a ação de criminosos. Mesmo com a construção de 10 postos comunitários de segurança da Polícia Militar (PM), espalhados por diversos pontos da região, moradores e comerciantes se sentem inseguros e temem a ação dos assaltantes.

Há cinco meses, o motorista José Vilmar de Araújo, 44 anos, foi rendido por dois homens armados na quadra QNN 21, em Ceilândia Norte, quando caminhava em direção a sua casa. “Não havia nenhum policial por perto. Eles chegaram, me abordaram e levaram a minha jaqueta, um relógio e R$ 60 reais. Não registrei ocorrência porque sabia que não ia adiantar, eles já haviam fugido do local”, disse Araújo. O motorista reclama da falta de policiais e viaturas circulando pelas ruas, e acredita que a falta de policiamento facilita a ação de criminosos. “A segurança está muito precária. O policiamento é pouco, quase não vejo viaturas nas ruas”, reclama.

“Uma vez solicitei ajuda no posto policial e o PM me falou que não tinha como ele sair porque estava sozinho no local”, conta a comerciante Patrícia Arauqueira, que trabalha em uma banca de revistas no centro da cidade. Mesmo com 10 postos comunitários espalhados em diversos pontos, a falta de viaturas disponíveis parece atrapalhar o policiamento, e traz medo e insegurança para a população. “O policiamento não é muito constante por aqui. A questão dos postos comunitários é excelente, mas a segurança só funciona ao redor dos postos. As quadras mais afastadas não têm nenhuma segurança, e enfrentam muitos problemas relacionados à ausência dos policiais”, argumenta Cleiton Ferreira, 29 anos, funcionário da drogaria Rosário.

O comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Adalto Amorim, foi procurado pela equipe do jornal Tribuna do Brasil, mas não quis se manifestar sobre o assunto. Já a assessoria de comunicação da PM informou que uma nova licitação deve ser realizada no próximo dia 9, para selecionar a empresa responsável pela manutenção das viaturas, e defendeu que os veículos que estão paralisados não prejudicam a realização do policiamento ostensivo na região.




“Temos muitas viaturas paradas por falta de manutenção, não apenas no 8º BPM. Mas isto não prejudica o policiamento porque esses veículos foram adquiridos apenas para completar a frota de veículos da PM”, informou oficialmente a instituição, por meio de sua assessoria de imprensa.

Em agosto do ano passado, a drogaria Santa Marta, localizada na QNM 18, Ceilândia Centro, foi alvo de um assaltante. Sete pessoas foram feitas reféns, e duas delas só foram libertadas quando policiais do Batalhão de Operações Especiais da PM (BOPE) invadiram a loja e balearam o seqüestrador, que morreu no local. “Todo mundo que trabalhava aqui foi embora. Trabalho como gerente da loja há quatro meses, e até hoje nunca fui assaltado, graças a Deus”, disse Adomir da Silva.

O gerente da joalheria Folheados do Sul, localizada no centro de Ceilândia, Tiago Campestrílio, conta que há três anos a loja foi arrombada e os assaltantes levaram diversas jóias fabricadas em ouro e prata. “Hoje, com a construção de dois postos comunitários, houve uma pequena melhora na questão da segurança”, disse Campestrílio.



Fonte: Tribuna do Brasil

Muito barulho

A poluição sonora em Ceilândia tem crescido bastante, na opinião de Roberto Benon, 52 anos. O comerciante mora na QNM 18 e conta que é comum a presença de carros de propaganda pelas ruas da região. “O barulho é ensurdecedor e atrapalha o convívio da vizinhança”, explica. O leitor diz que o fato é ainda pior no centro da cidade. “A disputa entre os veículos de som cresce a cada dia, principalmente aos sábados pela manhã”, detalha. “Parece carnaval.” O leitor entrou em contato com a Central 156. “Não obtive resposta. As autoridades governamentais não se preocupam com esse tipo de problema”, comenta.



Em resposta à reclamação de Roberto Benon, a assessoria de imprensa do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informa que a denúncia foi encaminhada à Gerência de Policiamento do Departamento de Trânsito (Detran). O órgão, por meio da assessoria de imprensa, afirma já estar ciente da situação relatada pelo leitor e garante que um equipe da Diretoria de Segurança visitará a região. Caso o problema seja confirmado, o Detran adotará as medidas cabíveis.



Fonte: Correio Braziliense

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Professora é agredida em sala de aula

Um garoto de 15 anos agrediu com cadeiradas uma professora no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 15, no Setor O, nesta sexta-feira (2/10). De acordo com o delegado da Delegacia da Criança e do Adolescente 2 (DCA) Paulo Almeida, a professora estava distribuindo provas de recuperação para alunos que não teriam ido bem na primeira prova, quando foi questionada pelo aluno a respeito da sua nota. A professora teria dito ao estudante que depois conversariam.

Irritado, o garoto arremessou duas vezes uma cadeira na professora e só foi impedido de jogar mais uma vez porque colegas da turma o seguraram. A professora ficou com o braço esquerdo e a cabeça machucados. Os dois foram levados à DCA 2, onde prestaram depoimento sobre o ocorrido. Segundo o delegado Almeida o garoto confirmou o que tinha feito.

Depois de comparecer à delegacia, a professora foi levada ao Instituto Médico Legal (IML). "O garoto agora vai responder processo de lesão corporal que vai surtir medidas socioeducativas, que podem ser desde advertência até internação", explica o delegado da DCA 2.



Fonte: Correio Braziliense e Rede Record

Mudanças para o Descoberto

O crescimento urbano, o despejo de dejetos e o desmatamento comprometem a principal fonte de captação de água do Distrito Federal. O Lago do Descoberto - com limites em Ceilândia, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás - é responsável por 65% do abastecimento de toda a capital federal. Embora seja essencial para os brasilienses, o reservatório sofre com o descaso da população. Em apenas 25 anos, a erosão e o assoreamento já provocaram uma redução de 17% no volume de água. Esse histórico de agressões, entretanto, pode estar com os dias contados. Produtores rurais da região se uniram a representantes do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e do GDF para proteger o reservatório. O Projeto de Adequação Ambiental do Lago do Descoberto, lançado no mês passado, prevê atividades ambientais como o reflorestamento das margens da orla.

O investimento previsto para restaurar as margens do Descoberto e recuperar a vegetação original é de cerca de R$ 7 milhões. Parte dos recursos virá dos produtores rurais, que se comprometeram a comprar mudas e começar a plantá-las na região. Recursos advindos de multas ambientais e de compensações pagas por grandes empreendedores também serão destinados ao projeto do Lago do Descoberto. A ideia é que, em um prazo máximo de cinco anos, o reservatório artificial tenha suas margens recompostas.

Na última terça-feira, os envolvidos no projeto fizeram uma reunião em um rancho de turismo rural que fica à beira do lago. Além dos chacareiros, também participaram do encontro representantes do MPDFT, da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), da Secretaria de Agricultura, da Agência Reguladora de Águas e Saneamento (Adasa), do Instituto Brasília Ambiental e da Agência Nacional de Águas (ANA).

Ao todo, 78 chacareiros estão às margens do Lago do Descoberto(2). A maioria deles cultiva frutas, verduras e hortaliças, mas a produção de flores na região também é forte. A presidente da Associação dos Produtores da Bacia do Descoberto, Rosany Cristina Carneiro, diz que a comunidade da área tem grande interesse em preservar o local. “Se não estivéssemos aqui, a região já teria sido invadida e transformada em condomínios. O meio ambiente é uma enorme preocupação para a gente e, portanto, temos muito interesse nesse projeto”, garante Rosany.

A representante dos produtores diz que o objetivo é plantar pelo menos 1 mil mudas de árvores por hectare. “Só na minha propriedade, já plantamos mais de 2 mil mudas. Nossa ideia é fazer um reflorestamento sustentável e, posteriormente, organizar até mesmo visitas de escolas ao Lago do Descoberto para conscientizar as crianças sobre a importância da preservação da área. Muita gente não sabe que a maioria da água usada em Brasília sai daqui”, destaca Rosany Cristina.

O produtor Francisco José Sobrinho lembra que a preservação do reservatório é importante, mas que também é essencial resguardar as nascentes. “As pessoas jogam lixo e esgoto nos córregos e nas nascentes e não pensam que essa água vai ser despejada no lago. É preciso tomar providências para que essas nascentes não sejam destruídas”, explica.

O gerente de Proteção de Mananciais da Caesb, Márcio Niemeyer, afirma que a companhia faz pelo menos 10 vistorias por mês na região do Descoberto. “A bacia é a principal fonte de abastecimento de água do DF. Esse controle é importante para um manejo sustentável da Bacia Hidrográfica do Lago do Descoberto e para garantirmos que a água terá uma qualidade estável”, garante Niemeyer. A água do lago não é potável, mas é considerada de boa qualidade. Depois de captada, ela é tratada nas estações da Caesb e, então, distribuída à comunidade.

A promotora de Defesa do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira destaca a importância do projeto para garantir um abastecimento de água de qualidade para o futuro. “Nosso objetivo é ter uma postura que não seja repressora. Queremos que a área seja recuperada e, para isso, a participação dos produtores rurais é essencial”, conta a promotora. “Agora, vamos buscar meios de viabilizar o programa. Uma das ideias é que pessoas que cumprem penas alternativas comprem mudas e entreguem aos produtores para que as margens do lago sejam reflorestadas”, acrescenta.

Além da recuperação da orla, o projeto também prevê a averbação das reservas legais. Pela legislação, 20% dessas propriedades rurais devem ter uso restrito, com registro da área averbada em cartório. Podem até ser ocupadas, mas os produtores ficam proibidos de fazer o corte raso da vegetação, por exemplo. “Eles reclamaram que a averbação é muito cara. Vamos estudar medidas para facilitar o cumprimento dessa determinação”, explicou a promotora Marta Eliana.



Fonte: Correio Braziliense