terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Opinião: Reportagem incomoda

A repórter Adriana Bernardes, do Correio Braziliense, assinou uma reportagem ontem(01/12/08), com o título Favelas em Ceilândia e Planaltina estão entre os locais onde mais ocorreram assassinatos. Desconhece a repórter que Ceilândia Norte está longe de ser considerada uma favela; segundo os dicionários mais comuns, favela é uma aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas. Este não é o contexto de Ceilândia Norte.

A manchete da reportagem nos leva a crer que a repórter só conhece as linhas do traçado urbanístico do Plano Piloto, espaço dos bens nascidos e que relutam em não conhecer e reconhecer a importância econômica das cidades ao seu redor para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal.

Reconhece-se as dificuldades sociais que a cidade de Ceilândia enfrenta, agora tratá-la como favela, é desconhecer a realidade da infra-estrutura urbana de Ceilândia; é referir-se a cidade de forma preconceituosa; é alimentar uma tosca visão da maior cidade do DF; é desconhecer a sua importância econômica; é ampliar absurdamente os fatos inerentes a uma cidade de 600 mil habitantes; é destacá-los de forma não contextualizada.


Fonte: ACIC-DF

Voçorocas

Um buraco de cerca de 15m de profundidade que aumenta a cada chuva virou motivo de apreensão para os moradores do Condomínio Privê, próximo a Ceilândia. A gigantesca fenda está a apenas 30m da Rua 16 e o temor é que as casas da ponta sejam engolidas pela erosão. “Estamos correndo perigo aqui e ninguém toma providências”, reclama Romero Machado de Almeida, 33 anos, vendedor de frutas, que mora no condomínio.

A enorme cicatriz na terra avança por conta dos problemas na rede de captação de águas pluviais no Setor O de Ceilândia. O Condomínio Privê está do lado direito da BR-070 de quem deixa o Distrito Federal. A área tem relevo mais baixo e, por isso, é para lá que correm as águas da chuva. “Quando chove, as paredes desabam, o buraco cresce”, descreve Gilmar Bezerra, também morador do Privê.

Para tentar conter a violência da água, os moradores improvisaram uma mureta de barro no fim da rua. O obstáculo serve apenas de paliativo. Enquanto uma solução definitiva não vem, a gigantesca erosão é usada como cenário de brincadeiras por crianças da região. “Tem uma caverna aqui embaixo”, conta Marcos Vinícius, 12 anos, ignorando o perigo que corre risco de ser soterrado pelas paredes da erosão.

O buraco do Condomínio Privê é um retrato dos problemas ambientais provocados pela falta de captação das águas pluviais. Mas não é o único. Também do lado direito da BR-070, outra erosão vem se formando por causa das águas que escorrem sem obstáculos a partir do Setor O de Ceilândia. O buraco tem cerca de 2m de profundidade e alcança pelo menos 100 metros quadrados de área. Dentro dele, o lixo se acumula. A erosão fica ao lado de uma das estações de geração da Companhia Energética de Brasília (CEB).

“Isso virou um inferno. A água do córrego está imunda”, reclama o chacareiro Inácio Pereira Ribeiro, de 79 anos, que mora a alguns quilômetros da erosão da BR-070. Ele teme pela conservação do Córrego das Pedras, que passa dentro da chácara dele, no Incra 7. “Já achei até cachorro morto no leito. É uma tristeza, o córrego pode morrer”, avisa o chacareiro.

O governo identificou pelo menos outras três áreas em que a falta de captação de águas pluviais já provocou danos ambientais sérios. Além da erosão do Privê, estão na lista voçorocas próximo da QNP 28(condomínio Sol Nascente), de Ceilândia, e na área JK, de Samambaia, e uma erosão próxima à DF-290, vizinha ao Gama. A voçoroca da QNP 28 é uma das maiores do DF e seus braços possuem mais de 100m de comprimento. “Trabalharemos para recuperar essas áreas e também para evitar que os problemas de captação provoquem situações assim em outras partes do DF”, promete o secretário de obras, Márcio Machado.

Ele reconhece que há muito a ser feito. O DF tem 40 mil quilômetros de asfalto — apenas 15% deles contam com rede de captação para as águas da chuva. As cidades e expansões criadas pelo governo nos últimos 20 anos não contam com redes de captação de água porque a construção de uma rede de escoamento encarece em até 40% o custo de pavimentação de uma rua.




Os problemas são agravados por causa do crescimento desordenado das cidades. Ao ocupar o território de forma ilegal, os moradores de condomínios irregulares e invasões colocaram concreto e cimento onde antes havia vegetação natural. Sem ter como infiltrar no solo e recarregar o lençol freático, a água escorre pela superfície à procura dos pontos mais baixos do relevo. Pelo caminho, arrasta o que encontra.

A água que não infiltra no solo também pode provocar o assoreamento dos córregos, rios e lagos. “A ocupação do solo precisa ser planejada, a falta de um sistema de captação adequado causa problemas”, alerta o professor Newton de Souza, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB).

As soluções devem chegar apenas depois da próxima seca. O plano de recuperação das áreas degradadas e a ampliação das redes de captação terá de esperar empréstimo internacional. O governo calcula que precisa de R$ 225 milhões para corrigir os problemas mais urgentes da rede de captação de águas pluviais. “Vamos licitar essas obras em janeiro. Portanto, nas próximas chuvas a população sentirá a diferença”, garante Márcio Machado. Para os moradores do Condomínio Privê, o medo continuará a ser o companheiro de cada temporal.



Fonte: Correio Braziliense

Difícil percurso

Crianças que moram na região do Incra 09 enfrentam lama e perigo para chegar à escola. O ônibus passa por uma ponte interditada.

Às 6h30, Luender Martins já caminhou mais de três quilômetros até chegar ao ponto de ônibus. “Aqui está tudo alagado, aí a gente suja o pé, suja a barra da calça. É muito ruim mesmo, não tem nenhuma árvore para ficar debaixo”, conta Luender Martins, de 12 anos.

“Não tem nem um pedacinho de lona, quanto mais uma parada de ônibus descente pra gente se esconder da chuva”, diz a dona-de-casa Wildmar Martins.

Mas a falta de abrigo não é o único problema. As ruas do Núcleo Rural Alexandre Gusmão não estão asfaltadas. E o trajeto até a escola está cada vez mais difícil. “É muita buraqueira, a ponte está quase caindo. Não dá não”, lembra uma aluna, de 10 anos.

“As estradas são ruins, tem muita pedra. Uma vez até furou o pneu do ônibus e ele teve de ir para o conserto. É muito ruim”, conta uma menina.

A placa alerta o perigo, mas ainda assim o motorista arrisca. “O trecho é bem distante. O tempo que levo para fazê-lo, os alunos já perderam dois ou três horários. É complicado. As crianças precisam de estudar. Temos de passar pelo local”, afirma o motorista Raudenir Joaquim.

Somente às 8h15 Luender conseguiu chegar à escola. Foi mais de uma hora de viagem e, mais uma vez, ele e outros estudantes não conseguem assistir ao primeiro horário de aula.

A diretora da escola conta que o problema tem prejudicado o rendimento dos alunos. “Eles têm que alcançar um número x de horas aulas para fechar o ano letivo. E esses alunos têm a dificuldade de ter que ficar fazendo atividade extra classe em casa. Eles tem que procurar as atividades que o professor passou antes do horário que eles chegaram”, explica a diretora da escola Solange Pereira.

O administrador de Ceilândia, Leonardo Moraes, responsável pela área, diz que a ponte vai ser reconstruída. Mas não há previsão para o asfaltamento.

“Na área rural, a previsão é de manutenção das estradas, é manter as estradas trafegáveis, porque o governo tem uma série de prioridades e o dinheiro não dá pra fazer tudo. Então, a prioridade de asfaltamento, hoje, é Sol Nascente e Pôr do Sol, que são os dois grandes condomínios de Ceilândia”, argumenta Moraes.


Fonte: Rede Globo

Quiosqueiros na legalidade

Dez mil quiosqueiros do Distrito Federal poderão trabalhar dentro da legalidade. O governador José Roberto Arruda sancionou, nesta terça-feira (2), o Projeto de Lei nº 900/08. Com isso, estão estabelecidos critérios para a utilização da área pública por mobiliários urbanos como quiosques e trailers.

O PL sancionado estabelece o limite de 15 metros quadrados para os quiosques localizados no Plano Piloto e de 60 metros quadrados para as cidades do DF. De autoria do Poder Excutivo, o projeto foi enviado à Câmara Legislativa no dia 11 de junho e, depois de algumas alterações, aprovado, por unanimidade, no dia 30 de outubro.

“Foi uma lei muito discutida e aprimorada na Câmara Legislativa. A partir de agora, todos os que têm quiosques na cidade sabem as regras. O importante é que a cidade, em todos os setores, está voltando para o caminho da legalidade”, destacou o governador.

A proprietária Cida Fátima Ribeiro, 37 anos, trabalha há 10 anos como dona de banca ilegal e comemora a nova lei. “A nossa regularização é um sonho da classe. Agora, podemos ter orgulho em dizer que somos quiosqueiros porque vamos trabalhar como pessoas dignas. Há vários governos que esperamos por isso”, lembrou Cida.

Arruda garantiu ainda que todos os 116 quiosques retirados da Rodoviária do Plano Piloto, há dois meses, serão instalados em outro local. “É uma área imprópria e eles não poderão voltar para lá. No entanto, estão cadastrados e cada um poderá desenvolver suas atividades em sua cidade”, reforçou. As administrações regionais indicarão os espaços permitidos para a instalação.

Outra novidade anunciada pelo governador é a determinação à CEB e à CAESB que façam todas as ligações de energia e água solicitadas pelos donos de bancas. “Todos agora possuem autorização para ter rede de água e de luz O cadastramento está praticamente pronto. Cada quiosqueiro pode fazer o seu pedido”.

Cadastramento

A Coordenadoria dos Serviços Públicos do DF, vinculada à Secretaria de Governo, realiza a inscrição de todos os quiosqueiros em atividade. Após esta etapa, todas as administrações regionais farão seus Planos de Ocupação e encaminharão à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma). “Depois disso regulamentaremos, por decreto, a localização exata e a quantidade de quiosques por cidade e emitiremos um termo de permissão de uso e o alvará”, detalhou o coordenador dos Serviços Públicos do DF, Paulo César Nunes.

O prazo para o início da emissão dos termos é de 15 dias. Por lei, o governo tem o prazo de um ano para concluir a regulamentação. A lei não autoriza novas construções, mas permite que as já existentes permaneçam no local até sair o Plano de Ocupação.


Fonte: ClicaBrasília, Rede Globo e Band Cidade de 02/12/08

Cárcere privado

A Divisão de Operações Especiais (DOE) da Polícia Civil evitou nesta madrugada um desfecho trágico durante uma briga entre namorados em Ceilândia Norte. Por volta de meia-noite, Mariana Rodrigues*, 17 anos, retornava de uma festa com o grupo de amigas. Horas antes, ela havia se comprometido com o companheiro a cuidar do filho, de dois meses, no período da noite. Entretanto, a jovem deixou a criança sob os cuidados de uma amiga para aproveitar a noite com as colegas. Revoltado com a situação, Ailton Braz dos Santos, 27 anos, manteve a jovem sob a mira de uma faca pontiaguda no momento da chegada da companheira. As ameaças de morte duraram mais de quatro horas.

O pedido de socorro foi feito na 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) por uma amiga da vítima. Ao deixar a colega em casa, no conj 62 na QNO 18,Expansão do Setor "O", ela teria presenciado agressões já no portão de entrada. Conforme o boletim de ocorrência, Ailton gritava que iria matar a companheira. A irritação teria sido causada pelo sumiço do filho, já que a mãe retornou para a casa sem a criança.

Os agentes da DOE chegaram ao local cerca de 20 min após a denúncia da amiga. Após longas negociações, eles conseguiram convencer o rapaz a se entregar. O processo foi iniciado por volta de meia-noite e seguiu até 4h45 min. A operação envolveu 25 policiais e transcorreu sem qualquer disparo, embora os homens estivessem posicionados em locais estratégicos aguardando o sinal para atirar caso necessário. Depois de entregar-se, o jovem foi encaminhado para a 24ª D.P. Ele deverá responder por crime de cárcere privado, que prevê de dois a oito anos de pena.

O delegado-chefe da 24ª D.P, Vivaldo Neres, ajudou na condução do resgate da jovem. Segundo ele, Ailton dava sinais de que estava transtornado. “Havia várias latas de cerveja espalhadas pelo local. Foi difícil iniciar o diálogo, pois a cada instante ele gritava que iria picotar a companheira”, conta o delegado. De acordo com a polícia, o casal morava há um ano na residência.




Ailton Braz foi encaminhado nesta manhã para o Instituto Médico Legal (IML) do Departamento de Polícia Especializado (DPE) para exame de corpo de delito. A medida é exigida pela justiça para atestar que o detido não sofreu qualquer agressão física na delegacia. Após o fim dos exames, ele seguiu para a carceragem do DPE, onde deverá permanecer nos próximos dias até que a justiça instaure o processo contra o acusado.


Fonte: Correio Braziliense, ClicaBrasília e Band Cidade de 02/12/08

O Entorno cresce demais

Um casal trocou a roça no interior de Pernambuco pela cidade de Águas Lindas (GO) há dois anos. Trouxe os netos, que estudam perto de casa. “Pensei que aqui fosse ter uma melhora, que íamos ter mais recursos de sobrevivência, mas é a mesma coisa”, relata a bordadeira Maria Neide.

O Entorno recebe ainda moradores do Distrito Federal. José e Edileide se mudaram de Taguatinga fugindo do aluguel. Compraram uma casa, mas têm dúvidas se valeu a pena. Eles continuam trabalhando em Taguatinga e para tudo dependem do Distrito Federal.

“A escola funciona precariamente. Falta professor. Os postos de saúde também não funcionam direito. Na verdade, é só uma ilusão morar fora do DF. A maioria das pessoas daqui de Águas Lindas (GO) dependem de Brasília”, opina o comerciante José Salvador.

Até 2010, a previsão é de que mais 500 mil lotes sejam ocupados nas 19 cidades goianas do Entorno. O problema é quando um aumento nessas proporções não é planejado e as áreas de saúde, educação, transporte e emprego não acompanham o crescimento da população.

O coordenador da Região Integrada do Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride), Carlos Henrique Sobral, diz que estão sendo feitos investimentos em saneamento, habitação e segurança. O governo também está capacitando os moradores para não terem que ir atrás de emprego no DF.

“Atualmente, dos 19 municípios de Goiás e dos três de Minas Gerais, mais da metade já tem arranjos produtivos nesses municípios, gerando emprego, renda e desenvolvimento social na região”, afirma Sobral.

Aurélio, que nasceu em Águas Lindas (GO) e viu a população explodir nos últimos anos, teme pelo futuro. “Se a situação não mudar, não tenho muito o que esperar para o futuro da minha filha”, diz.

A associação que representa as prefeituras do Entorno admite que ainda não existe uma política de desenvolvimento urbano para organizar o crescimento. E mais: muitas prefeituras não têm sequer engenheiros e urbanistas para avaliar os novos projetos de loteamento. Ainda segundo a associação, novos loteamentos são abertos sem qualquer infra-estrutura.

Segundo o governo federal, R$ 123 milhões estão sendo investidos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Entorno. Um grupo com representantes de Goiás e do DF estuda as necessidades de investimento na saúde e na educação. A segurança foi reforçada com viaturas e por mais de 500 policiais que substituem a Força Nacional em Luziânia.


Fonte: Rede Globo

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Teatro modelo

Em frente ao P Norte, o Teatro Sesc Newton Rossi é mesmo de deixar artistas de queixo caído. Com apenas um ano de funcionamento, já promove um deslocamento na linha de força que determina o Plano Piloto como absoluto centro cultural do DF. A ótima montagem O Homem Inesperado, por exemplo, com Paulo Goulart e Nicette Bruno, só passou lá.

O objetivo é a descentralização. Estamos agora construindo o teatro no Gama com 300 lugares, no padrão de alto nível tecnológico e arquitetônico, conta Rogero Torquato, coordenador artístico.

Atendemos hoje público de Ceilândia, Taguatinga, Brazlândia, Águas Lindas, Goiânia. No show de Vander Lee, veio uma caravana de Palmas (TO). Do Plano Piloto, começam a surgir grupos que alugam vans, revela o gerente Edson Gil.

O Teatro Sesc Newton Rossi está encravado num complexo educacional e esportivo de 50 mil metros quadrados. Fica em frente a bares e oficinas, que antes estavam em área desprezada. Houve um impacto de valorização imobiliária na construção do local. Com um estacionamento amplo, o espectador entra num foyer com três telas de plasma, café e espaço para exposição. Até a última sexta-feira, havia fotos da mostra Cine periferia criativa, projeto em parceria da Central Única das Favelas (Cufa/DF) e Sesc. Ali, também, escritores da região lançam livros.

Estamos trazendo a comunidade e sua cultural para dentro do teatro que, em termos de arquitetura de caixa cênica e tecnologia, é único no DF , observa Torquato.

A tecnologia é de ponta. Estou operando um airbus, conta o operador de som André Garcez.

As ações do SESC Ceilândia visam ao acesso da população. Os shows de João Bosco, Leila Pinheiro e Vander Lee, por exemplo, custaram R$ 2 a inteira. O espetáculo mais caro foi o do casal Paulo Goulart e Nicette Bruno, a R$ 10 (inteira). Na semana de exibição, carros de som passeiam pelas ruas da cidade divulgando a atração. De terça e domingo, há exibição de filmes em DVD na sala de projeção, com capacidade de 140 pessoas. A entrada é franca.

Temos tido uma boa média de público. Estamos falando de uma cidade sem cinema, destaca o técnico de iluminação e ator Miltinho.

O Teatro SESC Newton Rossi veio ocupar uma falta inexplicável de equipamento cultural numa cidade de mais de 350 mil habitantes. Modificou não só o acesso da população a apresentações de primeira qualidade, como também alterou a economia do espetáculo. Técnicos como Miltinho, que mora em Taguatinga, foram incorporados ao quadro de funcionários. Companhias e artistas que antes não tinham como se apresentar por lá agora incluem a Ceilândia nos projetos de captação. O diário do maldito, que teve projeto aprovado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), passou pelo palco na semana passada. Isso sem falar na contratação temporária que gira em torno da execução da montagem (transporte de cenário, produtores e assistentes).

É uma felicidade ter, numa periferia que precisa de tantas ações culturais, um teatro de última geração, com condições estruturais excelentes e a equipe técnica qualificada. Isso propõe um dinamismo para a circulação das companhias, que agora podem emendar uma temporada no Plano Piloto com Ceilândia, pontua o diretor Francis Wilker, do Teatro do Concreto.

A idéia é trazer para cá as atrações do Palco Giratório (maior festival de circulação do país) e do Festclown (encontro de palhaços), planeja Torquato.



Outro projeto de formação chama-se Teatro pelo Avesso. A meninada chega no foyer e encontra Miltinho, que faz um tour pelo equipamento cultural. Explica a importância de cada parte da maquinaria (a vara de luz, o ciclorama, os refletores), caminha pela coxia e camarins e, depois, fala da cultura de se assistir a um espetáculo. É importante trabalho de formação de platéia.

Estamos em constante manutenção preventiva. O público que freqüenta o Sesc Ceilândia é impressionante. Em um ano de atividade, nunca encontramos um chiclete mascado ou uma poltrona danificada, elogia Edson Gil.



Por dentro da Caixa Cênica:


* Foyer – As telas de plasma podem transmitir simultaneamente o que acontece no teatro ou na sala de vídeo. Podem também funcionar independentemente. Amplo, tem café, espaço de exposição, bebedouros (adultos e infantis) e ótimos banheiros.

* Sala de Vídeo – Tem 140 lugares e transmite às terças curtas e longas brasileiros. Alguns projetos, como o de filmes brasilienses, seguem com bate-papo.

* Sala Principal – Tem 430 lugares e pé-direito de 18 metros. A primeira fila é adaptada para cadeirantes. A platéia tem um ângulo de visão impressionante do palco, com boca de cena que se projeta.

* Coxia – Todas as varas são elétricas e movimentadas tanto da coxia quanto das cabines de som e luz. Podem ser trocados simultaneamente vários panos. São 100 refletores. Interliga-se a ponto de descarga de cenário, cujo caminhão descarrega diretamente na coxia. Há passagem de fosso, onde se pretende construir quatro saídas para acesso do subterrâneo ao palco.

* Camarins – Dois individuais e dois coletivos, todos com banheiros.

* Cabine de Som e Luz – Tem mesas de última geração, com 56 canais (som) e 96 (luz). Tudo é computadorizado. O mapa de luz dos espetáculos é gravado no computador e operado em alguns botões. Dali, também se controla as projeções de vídeo.




O teatro SESC Newton Rossi fica na QNN 27, lote B, em Ceilândia Norte. Próximo a área do Ceilambódromo e da escola Fundação Bradesco.


Fonte: Correio Braziliense de 30/11/08

Biblioteca faz aniversário

Convidamos a todos para a comemoração dos 15 anos da Biblioteca Pública de Ceilândia Carlos Drummond de Andrade.

No dia 02 de dezembro de 2008 (nesta terça-feira), a partir das 18 horas, acontecerá na Biblioteca Pública de Ceilândia (QNN 13 Área Especial - módulo B – Ceilândia Norte), a comemoração dos seus 15 anos de existência.

Na ocasião serão premiados os alunos de escolas públicas, ganhadores do concurso de desenho com o tema: "Natal em Ceilândia, tudo a ver, perto de você", a inauguração da iluminação de Natal no Centro Cultural, a apresentação do Coral das crianças, lançamento da coletânea de poesias da Academia Ceilandense de Letras e Artes Populares - a ACLAP -, exposição de fotografias da Oficina do Projeto Casa Brasil, exposição de painéis com os desenhos da Oficina de Criação de Histórias em Quadrinhos e um coquetel para os presentes e autoridades convidadas.

Ainda como parte das comemorações, haverá no dia 04 de dezembro o plantio de árvores na área do Centro Cultural, e ainda, no dia 06 de dezembro (sábado), atividades para as crianças com a presença do Papai Noel, contação de histórias, brincadeiras, pula-pula, cama elástica, totó, passeio a cavalos e apresentação de cães da Polícia Militar.

Maiores informações com a coordenadora da Biblioteca, Honorita pelo telefone celular: 9139.0999


Fonte: Universidade de Animação e Quadrinhos

Imagem: Misses agitam a cidade

Quarenta garotas se inscreveram para participar do Concurso Miss Ceilândia 2009. A grande festa, para escolher a mais bela ceilandense, será realizada no dia 17 deste,às 20h, no Sesc. Nesta quarta-feira (03), acontecerá a pré-seleção das candidatas, quando serão definidas as representantes dos 21 setores da cidade.

Os jurados estarão atentos aos critérios da seleção, que são beleza, elegância, simpatia e postura. A disputa pela vaga será acirrada, pois todas as candidatas demonstram estarem aptas para representar a cidade.

Mais informações na Ascom: 3901-1258



Veja abaixo algumas das concorrentes a Miss Ceilândia 2009 e a Miss DF 2008 (com a faixa):





Fonte: Administração Regional de Ceilândia

"Pontos Quentes"

Eles tudo vêem e tudo ouvem. Sabem como ninguém como o tráfico se organiza e atua. São capazes de apontar um a um quem é o aviãozinho — aquele que leva e traz a droga —, o vendedor (encarregado de atender os clientes) e o dono da “boca”, o chefe do tráfico. Conhecem os que sentenciam à morte quem ameaça os interesses do submundo do crime. Ou quem mata por causa de um simples esbarrão ou numa briga de bar. Eles vivem duas realidades. Essa é uma. A outra é a do silêncio, do medo, da impotência, da desesperança e da descrença na polícia. Eles são os moradores dos “pontos quentes”, lugares onde mais se registraram boletins de ocorrência de homicídios no Distrito Federal no primeiro semestre deste ano.

Esta semana, o Correio percorreu cinco dos endereços listados pela Polícia Civil do DF como “pontos quentes”. Eles estão no Relatório de Análise Criminal: Homicídios. De forma geral, são localidades com pouca ou nenhuma infra-estrutura. A Região Administrativa de Planaltina tem quatro dos lugares considerados críticos. No entanto, o setor de chácaras de Ceilândia - atuais condomínios (principalmente o setor habitacional Sol Nascente) - é a região com o maior número de registros absolutos.

Os caminhos que levam aos pontos quentes geralmente são vielas lamacentas e becos sem saída. O entulho da construção civil é a pavimentação possível para tapar as valas abertas pela enxurrada. O lazer? “A diversão aqui é buscar marido no boteco e assistir aos ‘fight’ no meio da rua. E olha que isso aqui é animado viu!”, afirmou uma dona-de-casa de 28 anos, mãe de três filhos. Ela conta que os assassinatos são mais freqüentes nos fins de semana.

Famílias inteiras adaptam o dia-a-dia à essa realidade. Não saem aos sábados e domingo para não terem as casas furtadas. Fingem-se de cegas, surdas e mudas para não contrariar os interesses do tráfico de drogas que, combinado ao consumo excessivo de álcool, estão entre as oito motivações mais freqüentes para tirar a vida alheia no DF. Das 309 ocorrências de homicídio de janeiro a julho, a polícia descobriu as razões para matar em 226. Dessas, a droga aparece em segundo lugar com 43 casos (19%), atrás de motivo fútil, com 73 ocorrências (32,3%). O álcool foi o motivo para 17 das 226 ocorrências.


O que a polícia chama de “pontos quentes”, a pesquisadora Ignez Costa Barbosa define como “territórios da violência”. Locais que, segundo ela, oferecem localização privilegiada para a instalação do crime organizado pela precariedade da estrutura urbana. “Esses lugares são justamente habitados pela população periferizada e segregada, que é mais vulnerável à ação do crime organizado, não tem meios de enfrentá-lo e se submete ao seu poder”, analisou Inez, associada do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais e que tem pós-graduação em Geografia Humana pela Universidade de Paris I.

Ela destaca que o homicídio sempre existiu na sociedade, em todos os tempos, como forma de resolver conflitos entre pessoas: na família, na comunidade e até entre países. Atualmente, no entanto, convive-se com as formas tradicionais de violência e com as novas, decorrentes, inclusive, da ação do crime organizado. “O crime organizado arma os jovens para trabalhar para a organização criminosa e esses armados, podem fazer as disputas pessoais se tornarem homicídios”, afirmou.

Na opinião do professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e integrante do laboratório de análise de violência, Ignácio Cano, o homicídio é um crime difícil de ser prevenido, mas não é impossível. “Geralmente os casos se concentram em área carentes, onde a comunidade tem uma relação difícil com a polícia. Ela tem medo de colaborar. Portanto é necessário investimento no trabalho de investigação e proteção à testemunha”, disse. (AB)




Outros dois locais onde ocorreram homicídios foram a QNN 03 (2) e a EQNN 23/25 (2), ambos em Ceilândia Norte.

Fonte: Correio Braziliense